A plataforma Coursera.org é realmente fantástica. Fundada por dois professores da Universidade de Stanford, oferecem centenas de cursos de graça, de muitas universidades ao redor do mundo. Tem cursos dos mais variados assuntos, dê uma conferida no site, alguma coisa irá lhe agradar.

Esta palestra da co-fundadora Daphne Koller é bem interessante, mostra o aprendizado que estão adquirindo sobre educação online:

 

Eu conhecia a plataforma e já tinha me inscrito no curso de Gamification ano retrasado, porém não consegui acompanhar as aulas e fazer os trabalhos. A quantidade de conteúdo e a falta de tempo me impediram de continuar.

Mas ano passado o curso foi ofertado de novo, e desta vez encarei pra valer, consegui ir até o fim. O conteúdo semanal não é tão grande, mas precisa de empenho. Se deixar no “quando sobrar um tempo faço”, não dá certo. Precisa encarar de forma séria. Os trabalhos, especialmente os últimos, podem exigir um grande esforço, mas é plenamente realizável.

Achei o curso ótimo, uma mistura perfeita de teoria com prática. Além disso, a dicção do professor era super clara, ele falava com calma e dava para entender tudo sem problemas. Até no tocador de vídeo da plataforma tem como acelerar a velocidade um pouco, e para ganhar alguns minutos, acabei assistindo quase todas as vídeo-aulas com uma pequena aceleração de 25%. Mesmo assim era fácil entender sua voz. Algumas lições tinham legenda em português, mas nem todas. Acho que a cada ano mais material é traduzido por voluntários. De qualquer maneira todas as atividades e trabalhos devem ser feitos em inglês, então é melhor treinar o ouvido na língua original mesmo.

Professor Kevin Werbach da Universidade da Pensilvânia

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Os videos são bem editados, conforme o professor fala, também rascunha na tela para demarcar alguma área do slide, e o quadro com seu rosto varia de posição e tamanho de acordo com a situação. Em alguns momentos o vídeo pausa e uma pergunta sobre o assunto em questão é feita, só continua se acertar (ou pular esta parte do vídeo, que roda no player da plataforma). Além disso os slides podem ser baixados, mas são só tópicos.

Seu livro: http://www.amazon.com/For-Win-Thinking-Revolutionize-Business/dp/1613630239

download

A estrutura do curso era assim, a cada semana:

  • Lições em vídeo (aprox. 2h de vídeos, em diversas aulas pequenas, duração média 10min cada);
  • Quiz com 10 questões sobre as aulas;
  • Um trabalho escrito sobre um tema específico;
  • Referente ao trabalho enviado na semana anterior, precisa avaliar pelo menos 5 colegas do curso. Também no final do processo deve fazer uma auto-avaliação do seu trabalho.

 

Porém este conteúdo foi sendo aberto aos poucos. Na primeira semana eram só as aulas e um quiz. Ele poderia ser respondido em 2 semanas (prazo bônus do início do curso).

Mais para frente começaram os trabalhos escritos, além da avaliação dos trabalhos de colegas. Forem 3 trabalhos com complexidade crescente. O último tinha 2 semanas para fazer (e sem o quiz).

Por fim teve um exame final com 20 questões (caindo matéria de todo curso). Independente das atividades, toda semana havia novas aulas para ver.

A duração total foram 6 semanas.

 

Categoria dos vídeos, em cada havia 5 ou 6 vídeos na média

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A plataforma da Coursera é muito boa. Interface simples e fácil de navegar, tudo muito limpo e rápido. A cada vídeo visto fica marcado (checkmark), tem um feedback claro de quantas horas faltam para abrir a próxima etapa dos trabalhos (submissão, avaliação dos colegas, auto-avaliação) inclusive com barra de progresso; quando responde o quiz ele mostra na hora o resultado e um comentário questão por questão de cada resposta, explicando porque estava errada ou certa. Todo esse feedback é ótimo, pois além de não deixar ninguém perdido sobre o que está acontecendo no curso naquele momento, é uma forma complementar de aprendizado.

 

A pontuação do quiz é bem interessante, quase um jogo. Pode responder várias vezes, vale a pontuação mais alta de todas as tentativas. Porém cada vez que responde tudo o resultado vale 20% a menos… E as questões (e opções de escolha) são sorteadas. Então se na primeira vez não foi muito bem, pode tentar mais uma, porém se acertar tudo só vale 8… É interessante considerar se vale a pena ou não responder mais, aprender com o feedback das respostas, etc. Única crítica é que o professor fez umas questões “pega ratão”, onde a resposta poderia ser discutível, sob um ponto de vista está errada, sobre outro certa… mas isso só aconteceu algumas vezes na minha opinião, e faz parte do jogo.

 

A pontuação dos trabalhos escritos é uma mistura da avaliação média de 5 colegas do curso com sua auto-avaliação. Não descobri exatamente qual o cálculo, se por acaso sua auto-avaliação for muito boa e seus colegas derem uma nota pior, o resultado vai ser mais baixo… caso contrário sempre valeria a pena dar nota máxima para si mesmo (foi o que fiz 🙂 ). Como o curso tem uma quantidade enorme de alunos, o professor não tem como avaliar pessoalmente ninguém, então esta solução do sistema sortear os trabalhos e distribuir automaticamente para os colegas foi muito boa. No formulário de avaliação diz claramente como o trabalho deve ser avaliado e tem as opções de notas. Em alguns casos eram duas notas parciais que formariam a final. Também tinha um campo opcional para escrever o que mais gostou e o que não gostou do trabalho. Todo este feedback era enviado para o autor depois. No geral gostei das minhas avaliações e procurei dar um bom feedback para os outros também.

 

O curso teve mais de 60mil inscritos (de graça né!) mas no fim somente 5mil conseguiram certificado, atingindo a nota mínima (7, se não me engano).

O que mais gostei do conteúdo das aulas é que abordava game design no geral, não somente sobre “gamificar” atividades da vida real. Mesmo que você ache gamification uma bobagem, todo o conteúdo de game design genérico foi excelente. Algumas teorias da psicologia eram muito boas e acabei aproveitando para minhas aulas. (E até para analisar Demon´s Souls…)

 

Gostei também do perfil do professor ao tratar gamification como somente uma possibilidade de engajar e estimular as pessoas para realizar algo na vida real, e não como uma solução perfeita que funciona sempre. Ele mostrou exemplos de jogos ruins que tiveram efeitos negativos entre os jogadores, e ainda casos mais graves onde a gamificação é feita por uma empresa que praticamente obriga todos os funcionários a participar (e acaba criando competições ou stress que não ajuda em nada). Ou seja, gamificação tem que ser feita com cuidado e em alguns casos pode não ser uma boa opção. O professor discutiu tudo isso no curso, mesmo ele sendo autor de um livro sobre o assunto, achei bem sincero e corajoso da sua parte deixar claro que não é uma solução perfeita.

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Trabalho final

Criar um conceito de gamificação para uma empresa de consumo colaborativo. São sites que permitem que qualquer pessoa venda qualquer serviço, compartilhem bens, etc.

Esse tipo de serviço é pouco conhecido no Brasil, mas está em crescimento lá fora. Funciona assim: imagine que você tem um quarto de hóspedes vazio e quer alugar para alguém que está de passagem pela cidade, ou você sabe fazer instalações de máquinas de lavar e quer oferecer seu trabalho, ou você tem alguma furadeira especial e poderia alugar ela para quem precisasse, ou utiliza seu carro só 2 vezes na semana e pode alugar nos outros dias, etc. É como se fosse um site de classificados desses produtos ou serviços, que ganha uma comissão a cada negócio realizado.

 

O professor criou um framework para gamificação, que ele trata no seu livro também, chamado de Gamification Design Framework, composto de 6 etapas.

  1. Definir objetivos do negócio
  2. Planeje o comportamento esperado dos jogadores
  3. Descreva quem são os jogadores
  4. Planeje as atividades principais
  5. Não esqueça de diversão
  6. Use as ferramentas apropriadas (no sentido de utilizar a melhor plataforma para implementar o sistema)

 

Para este trabalho final deveria ser utilizado o framework para criar um sistema gamificado aumentando os negócios da empresa dona do site colaborativo. O objetivo deles seria tornar o uso compartilhado de produtos e serviços algo tão comum como compras individuais. O site teria uma moeda virtual que poderia ser usada para qualquer transação, e também poderia ser trocada por dinheiro real. Cada vez que essa moeda é gerada, trocada ou gasta, a empresa cobraria uma pequena taxa, ou seja, quanto mais atividade, mais dinheiro ganha.

 

A minha ideia (resumidamente) foi a seguinte:

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Ao começar o jogo, o jogador recebe as quests iniciais: preencher todo o seu perfil, convidar amigos para participar, passar por um pequeno questionário que pergunta que tipos de serviços o jogador poderia compartilhar (com lista de categorias, estimulando a pensar sobre qualquer bem ou serviço que possa transformar em um negócio e não tinha imaginado antes), fazer um tour guiado pelo site explicando como funciona o serviço e suas possibilidades.

Cada quest realizada vale pontos. Acumulando pontos pode subir de nível, destrancando badges.

Depois outras quests serão abertas, sendo que algumas são eternas (ex: indicação amigos). Também ao contratar ou vender serviços (realizar negócios com a moeda interna da plataforma) pontos serão contabilizados. Ao dar feedback para a comunidade de como foi a transação com outro jogador, recebe mais pontos.

Se o jogador necessitar de um serviço que não está disponível na sua região, pode criar uma quest e mandar para todos daquele local. Se outro jogador tornar o serviço disponível e a negociação se concretizar, mais pontos serão gerados.

Todas estas possibilidades estimulam os jogadores a agir e receber o feedback de pontos e badges (engagement loops).

 

Sobre progression loops, haverão vários tipos de leaderboards em que os jogadores poderão competir. Há níveis fáceis até difíceis, estimulando a conquista de um atrás do outro, até ser o maior jogador de todo o sistema.

Quando o jogador entra no sistema, de acordo com a seu endereço, ele estará um uma região da cidade (pode ser dividido em áreas como norte, sul, leste, oeste). O rank mais simples de competir será a posição de jogador com mais pontos da sua área. Ao conquistar isso, recebe algumas vantagens, como marcação no seu perfil (um badge temporário, enquanto estiver no topo) e uma pequena porcentagem de lucro extra ao realizar transações de vendas ou desconto em transações de compra. O próximo rank será de toda cidade, após todo estado, então topo país, por último ser o jogador com mais pontos no mundo. Esta dominação dos ranks será um objetivo progressivo que incentivará os jogadores mais competitivos. Cada rank mais alto aumenta a porcentagem financeira que recebe.

 

Ainda haverá um modo cooperativo, nesse caso os ranks mostram as pontuações somadas de todos os jogadores naquele local. Então todos de uma parte da cidade cooperam para competir com as outras regiões. Todos os jogadores da região ganham (enquanto estiverem no topo) uma pequena porcentagem extra de pontos. Ou seja, isso permite ajudar também na conquista dos ranks no modo individual. Desta forma a participação de amigos da mesma região poderia ser benéfica para todos. Também haverão os ranks de níveis mais altos, como o estado que tem mais pontos dentre todos do país, e por fim o país que tem mais pontos dentre todos.

 

O jogo será passado em Shareland (um mundo sustentável, onde as pessoas compartilham serviços). Apesar deste contexto fictício para divertir, o mapa do mundo do jogo será idêntico ao real. (talvez a arte utilizada poderá ser mais abstrata para encaixar neste contexto).

No jogo aparecerá um mapa do mundo (semelhante googlemaps), onde os jogadores podem aproximar e explorar a posição de outros jogadores. Poderão ver os dados de usuários por região de cidade, estado, país e global. Para cada jogador (uma marcação no mapa) pode ser visto perfil, pontos, níveis, badges e quais serviços compartilha ou já comprou. Ou seja, é equivalente a uma rede social. Mensagens podem ser deixadas para outros jogadores. Esta exploração já é divertida por si só, as pessoas irão facilmente descobrir se seus vizinhos tem disponível algum serviço interessante, da mesma forma se há algo interessante nos locais onde planeja viajar, etc. Além disso haverá a forma tradicional de buscar no sistema um serviço específico (ex: aluguel de carro em um determinado local), além da busca de usuários por nome.

 

Quando um jogador atingir a primeira posição no rank da sua região da cidade, receberá o título de Barão e 4% de bônus financeiro. Da mesma forma para os outros ranks:

Melhor em toda cidade => Conde (8% bônus)

Melhor de todo estado => Príncipe (12% bônis)

Melhor de todo país => Rei (16% bônus)

Melhor do mundo => Imperador (20% bônus)

Também será possível ver o rank no modo cooperativo, podendo estimular amigos a participar para melhorar a performance de sua região, cidade, estado ou pais no rank geral.

 

O jogo será um site que poderá ser acessado em PC ou dispositivos móveis.

O jogo terá atividades para todos os tipos de jogadores, além de criar uma experiência que gera motivação intrínseca (todas as possibilidades de interação, contexto de fantasia, explorar o mapa, sistema de feedback) e motivação extrínseca (badges, títulos, vários níveis de rank) seja de forma individual ou cooperativa.

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O mais complicado de fazer este trabalho, foi conseguir dar um jeito do texto traduzido para o inglês encaixar no limite de 1500 palavras. Gastei muitos dias retocando a tradução e resumindo para tudo ficar claro e sem usar palavras demais, foi um grande desafio. Mas no final valeu a pena, todos os avaliadores deram nota máxima…

Meu conceito final do curso todo, contando todos os trabalhos e questionários, foi 9,2. Fiquei bem satisfeito! No fim o sistema gera um certificado e ainda há integração com o linkedin, fica listado no seu perfil o curso realizado.

 

Para ver as aulas, vá em https://class.coursera.org e busque por gamification. O curso deve ser aberto novamente no futuro, e mesmo quem não fez antes acho que pode ver as aulas postadas. Quem foi aluno e está com o curso registrado na sua conta continua eternamente com acesso de todo material, feedback dos trabalhos, tudo disponível.

 

Então é isso, foi uma ótima experiência e recomendo. Sugiro pegar algumas horas semanais que você provavelmente gastaria no facebook 🙂 e dedicar à algum curso do Coursera, vale a pena! Mesmo que não der tempo de fazer tudo, o material continua lá para quando quiser ver. É conteúdo de extrema qualidade e grátis, imperdível!

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