Steven Spilberg fez uma parceria com a EA em 2005, para desenvolver alguns jogos. Ele disse que usaria sua experiência como diretor para criar jogos que iriam emocionar o público e até fazer as pessoas chorarem.

O primeiro trabalho que produziu (certamente um “treino”, por ser muito simples) foi Boom Blox para Wii, um puzzle com física para o público infantil. Quem sabe depois disso poderia seguir para algo mais sério, para cumprir sua promessa… mas até hoje estamos esperando. O outro jogo que estava em produção foi cancelado, pelo jeito sua parceria foi para o espaço…

 

Desculpa Steven, mas não consegui chorar com isso…

Pois quem conseguiu realizar esta tarefa árdua de emocionar os jogadores foi um estúdio independente desconhecido, que fez um jogo simples em RPG Maker, chamado To The Moon.

Mesmo que você já tenha chorado no final épico de Metal Gear Solid 3 (fantástico!) ou engolido em seco nas partes mais dramáticas de Heavy Rain, são jogos AAA com personagens 3D realistas e dublagem de alto nível. Porém To The Moon conseguiu ser emocionante com pequenos personagens pixelados e sem dublagem! Somente música e texto, alguns efeitos sonoros e animação bem modesta. (evidentemente a música tem um papel fundamental)

 

O jogo conta a história de médicos que conseguem entrar na mente de uma pessoa, no leito de sua morte, e alterar seus pensamentos para que ela realize seu último desejo. Mas eles devem fazer isso de forma sutil, não alterando a mente na hora, mas plantando algum elemento que possa fazê-la mudar internamente. Ou seja, os médicos entram na mente adulta mas precisam ir se aprofundando nas lembranças, chegando até a infância, para realizar alguma alteração que irá desencadear o objetivo final na vida adulta.

O sonho do senhor que está morrendo no jogo é ir para lua. O motivo disso, tudo que está por trás, não irei comentar para não estragar a surpresa. Só jogando para saber.

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É um jogo simples e razoavelmente barato (US$12,00), que tem alguns problemas técnicos pequenos, mas consegue manter a atenção do início ao fim, conta muito bem a sua história, e é realmente emocionante. Não há garantia que irá fazê-lo chorar, mas certamente irá fazer você pensar sobre coisas que geralmente os jogos não abordam, como sacrifício, amor, culpa, dedicação, sonhos… Até refletir sobre sua própria vida…

 

Um jogo modesto mas que faz muito mais do que seu visual simples demonstra ser, consegue atingir sentimentos que poucos outros títulos com produções milionárias sequer ousaram buscar.

Ele tem tudo para virar um cult, já vi comentários de jogadores que disseram ser a mais impactante experiência “gamística” de suas vidas… muitos disseram que realmente choraram, até li no fórum do criador um post de um jogador que pirateou o jogo mas depois se sentiu na obrigação de pagar, tamanho o impacto que causou nele. Coisa rara de se ver, ainda mais num jogo tecnicamente tão simples.

(nota dos usuários no metacritic = 9.1)

 

 

Quando você estiver enjoado de dar tiros, de salvar o mundo mais uma vez dos alienígenas ou zumbis, experimente To The Moon. Mostra o poder de uma boa história (focada no sentimento humano e não na fome de poder) e de como contá-la de forma criativa. Eu recomendo muito, tem demo no site.

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Em termos de gameplay é muito simples, não há nenhum combate (com exceção de uma pequena parte), mas mesmo assim é bem interessante. Foca mais na exploração do cenário e ficar imerso pelo enredo, na experiência em geral. Ao jogar a demo dá a impressão que todo jogo segue aquele sistema de só falar com os personagens e procurar alguns objetos, mas na versão completa há boas variações depois da metade. Até lembra o filme A Origem, com pensamentos e realidades de memória presos dentro de outros… enfim, vá lá e entre de cabeça no mundo melancólico de To The Moon!

(mas também há humor!!)

 

No site oficial tem outros jogos anteriores do estúdio, gratuitos.

http://freebirdgames.com/to_the_moon/