O Steam é uma plataforma interessante, pois além de ter descontos e promoções ótimas, dá oportunidades a estúdios menores publicarem seus jogos. Para quem estuda game design aqui na nossa realidade brasileira, é muito mais útil analisar um jogo com uma produção menor, mas que mesmo assim obteve boa qualidade e inovação, do que só jogar as produções milionárias blockbusters que provavelmente nunca produziremos aqui.

 

Então vou comentar sobre um jogo que nunca tinha ouvido falar (baixei a demo no Steam sem nenhuma expectativa, pois tenho hábito de conferir produções mais independentes e estranhas) e adorei! Fui obrigado a comprar de tão impressionado que fiquei. Anomaly Warzone Earth é ótimo, uma grata surpresa. Só jogue a demo se estiver disposto a comprar, pois senão irá ficar com aquela coceira incomodando🙂 .

 

O jogo conseguiu misturar elementos estratégicos de um RTS (administrar recursos, pensando em que unidade comprar, qual upgrade fazer, qual melhor posição delas na fila de ataque,…) com ação direta de correr com um personagem e usar itens no campo de batalha (para curar unidades, distrair inimigos, chamar ataques aéreos,…).

 

 

Eu nunca tive muita paciência para jogos clássicos de RTS, onde se deve ficar um bom tempo minerando recursos, montando bases… sempre preferi as fases mais focadas em andar e atacar com uma tropa, como existe também no ótimo singleplay do StarCraft2. E Anomaly era exatamente focado nisso, micro administração da tropa e ação direta, sem ficar perdendo tempo com mineração ou outras chatices. Neste jogo os inimigos ficam estáticos (torres alienígenas que atiram se passar por perto) e o jogador precisa escolher a rota de ataque que ele quer seguir no mapa, clicando em bifurcações de caminhos possíveis (modo planejamento). As unidades da tropa andam e atiram sozinho, tudo automático. Além disso, o jogador controla diretamente um soldado a pé que fica usando os itens de apoio. Só isso, tudo prático e direto, muito bom.

 

 

Quando joguei a demo, no vídeo promocional que é mostrado no fim, falava as características do produto completo e fechava dizendo algo como “muitas horas de ação em um tower defense…” Como assim tower defense? Pra mim isso é RTS prático e simplificado, focado em ação como nas fases mais diretas do SC2. Os inimigos é que são torres, como isso pode ser tower defense?

Então vi outro vídeo deles onde diziam que eram um “tower offense”, uma espécie de inversão de conceitos do gênero. Ao invés dos inimigos virem em fila e o jogador colocar torres no cenário para atacá-los, os inimigos são as torres, e o jogador controla a fila de unidades para acabar com eles. Muito esperto! Viraram os fundamentos do gênero de cabeça para baixo. O resultado foi um jogo de ação com um personagem livre para tomar decisões instantâneas na batalha (como recuperar vida de um aliado), mas sem perder o forte lado estratégico de planejar a rota de ataque, tipos de unidades, ordem delas na fila, etc.

 

 

Tudo isso aliado a gráficos de boa qualidade, música empolgante, história bem contada com várias surpresas e variações de objetivos ingame (apesar de ser uma história bem simples), formam um jogo excelente.

Só mesmo os estúdios pequenos para fazer algo diferente e inovador. O jogo não é muito longo, só tem 14 missões além de alguns modos extras, mas o preço é proporcional a isso – U$9,99

Recomendo muito, excelente exemplo de como a criatividade e boa implementação pode fazer um jogo tão imersivo e empolgante (enquanto ele dura) como algumas batalhas do singleplay de SC2.

 

Vida longa aos indies!