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Depois de uma pausa (gigantesca) para tratar de outros assuntos, volto a falar da viagem-missão Unisinos GDC 2010. Se você não sabe do que estou falando, procure por GDC no campo de pesquisa ao lado (menu direita) para ler os posts anteriores relativo a viagem.

 

Irei comentar hoje sobre nossa visita na Nintendo (sede nos arredores de San Francisco), que foi uma reunião almoço. Chegando lá fomos recepcionados com um bom e claro “Olá”, para nossa surpresa (depois de só ouvir Hello por tanto tempo). A Erika Onuma (Multilingual Administrative Assistant) é uma brasileira que trabalha auxiliando na troca de informações entre línguas diferentes. Ela fala inglês, japonês, além claro do português (e possivelmente espanhol). Pelo menos que me recorde ela era brasileira, apesar da fisionomia oriental. Enfim, de qualquer maneira seu português era bem natural…

 

Nos reunimos com alguns executivos, entre eles: Mark Wentley (Manager, Marketing Latin America), Josh Lehman (Manager, Sales Latin America), entre outros por vídeo-conferência (além de alguns acompanhantes do consulado brasileiro). Sobre a parte almoço da reunião, foram servidos sanduíches acompanhados por cookies. Era um tanto quanto estranho conversar enquanto comia, de forma quase casual, com alguns dos cabeças da Nintendo em sua sede. Surreal, experiência única.

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A Nintendo queria muito nos ouvir. Foi a única empresa que já tinha pedido com antecedência uma apresentação sobre o mercado brasileiro. O João, coordenador do curso de jogos da Unisinos, já tinha preparado antes da viagem um arquivo para a gente mostrar lá. Então depois nosso grupo só precisou revisar o material para alguns retoques finais, antes de apresentar à Nintendo.

 

Os executivos da casa do Mario estavam interessados nas informações que poderíamos passar, a ponto de fazerem suas anotações enquanto apresentávamos e pedirem cópia do arquivo depois.

Nós falamos sobre a visão geral do mercado de jogos no Brasil, a situação complicada dos impostos que matam nossa indústria, além claro da paixão do povo pelos jogos, especialmente da Nintendo 🙂 . Aquele papo de sempre: temos potencial enorme, universidades, cursos, alguns poucos jogos publicados em todos os consoles, mas tudo acaba esbarrando no problema dos impostos abusivos.

 

Na época não existia o Jogo Justo, pelo menos não em escala nacional, popular do jeito que está hoje. Se tivesse, certamente iríamos abordar o assunto e pedir algum tipo de apoio se fosse possível.

Todas as empresas de jogos que nós visitamos na viagem já sabiam do problema dos impostos (evidentemente), mas parece que apesar dos esforços (lobistas trabalhando sobre isso no Brasil?), nenhum resultado prático foi obtido. Acho que consideram o problema bem complicado ou simplesmente não tentam com empenho suficiente ainda. Enfim, esperamos que isso se resolva brevemente para o nosso mercado deslanchar. Já que a Sony, Nintendo e Microsoft não se mexem, nossa esperança fica sobre o Moacyr e sua equipe 🙂 .

 

Retomando: falamos sobre estas questões, depois tivemos uma palestra interessante sobre o processo de desenvolvimento para Wii e DS, os passos que uma empresa precisa seguir até lançar algum jogo na plataforma. Ficou claro que a Nintendo não aposta muito em indies, estúdios iniciantes que querem espaço para lançar algo novo. Eles apostam em empresas que já tem experiência de criação, que tenham segurança para guardar com cuidado o kit de desenvolvimento (e não parar no eBay como eles mesmos comentaram). Ou seja, se seu estúdio já publicou alguma coisa, tem grana para comprar os kits, e fizer jogo com o estilo Nintendo (algo não muito violento ou que vá contra suas filosofias), ok pode lançar. Mas se for um estúdio indie tentando começar terá muitas dificuldades (praticamente impossível).

 

Eu até perguntei se eles não teriam algum programa de apoio ao pessoal do meio acadêmico, assim como a Sony fez com a Unisinos com nosso lab de desenvolvimento para PSP, mas a reposta é não. Até disseram que poderia ser um caminho válido começar então com o PSP, lançar alguma coisa no mercado, e só depois de consolidado tentar falar com eles. Disseram que a Sony poderia estar, digamos, desesperada e querendo gente nova de todas as formas para trabalhar com suas plataformas, mas que a Nintendo não vai por esse caminho. É uma pena, gostaria que a Nintendo também estivesse “desesperada” e permitisse um contato maior com suas tecnologias de desenvolvimento a quem está começando na carreira de criador. Eu acho muito simpático (e também comercialmente bom) por parte da Sony dar algum apoio acadêmico para estimular o contato dos alunos com a plataforma Playstation, esteja a Sony “desesperada” ou não. Agora a Nintendo está com o Wii estagnado, já quase lançando sua nova plataforma. Por que não eles auxiliam a criação na plataforma atual estimulando gente nova a trabalhar com seu sistema? Alguns jogos criativos para a rede online do Wii seriam bem vindos (mas claro que o controle de qualidade continuaria existindo, seria só abrir as portas para ter acesso à tecnologia). É uma lástima manter essa visão de corporação fechada e não dar uma mão aos que estão começando. Enfim… Por causa desta posição hoje os indies tem bem mais chances de acabar em plataformas da Sony ou Microsoft do que na Nintendo, mesmo que em qualquer caso seja necessário ter um publicador por trás e usar os kits de desenvolvimento, mas pelo apoio acadêmico isso facilita.

 

Depois da nossa apresentação, da palestra deles e do bate papo geral, ganhamos alguns brindes! Cada um do nosso grupo levou uma sacola com camiseta, Wii points e canetas temáticas. Muito simpático por parte da Nintendo! E ainda levamos os sanduíches e cookies que tinham sobrado, acho que estávamos com cara de fome.

 

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Ah, mas antes de ir embora visitamos a área de degustação (de jogos) do escritório. Lá alguns Wii´s e DS´s nos esperavam com jogos clássicos.

 

Resumindo: Mais uma visita memorável da nossa viagem!

 

Área de jogos:

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DS XL:

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Banana com marca Monkey Ball do Wii! (mas esta estava em um bar comum na cidade e não na Nintendo; sinal do quanto a cultura gamer é universal nos EUA, até na fruteira!)

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