Eu tentei gostar de Silent Hill. Sempre curti os gráficos, atmosfera, personagens, ambientação grotesca e tudo mais. Mas depois de algum tempo de jogo, geralmente acabava perdido, não sabendo onde ir, o que fazer, confuso com os puzzles abstratos e com a história… Só acabei um título da série, e mesmo assim consultando guias para chegar no fim.
Talvez eu não seja um jogador com muita paciência para enfrentar estas situações, por isso survival horror nunca foi meu gênero preferido.

 

Mas então veio Amnesia, que é muito bom, simples de jogar e com ambientação fantástica. E também conheci (meio por acaso) o Siren: Blood Curse do PS3, baixado via PSN – [R.I.P] – (mas há também versão em disco, não americana).

 

Pois não é que o Siren é uma obra prima? Acabou sendo meu jogo favorito do gênero, seguido logo atrás por Amnesia.

Você já ouviu falar desse Siren do PS3? Não é muita gente que conhece.

Como pode um jogo com essa qualidade não ter um marketing decente? Tanta produção sem graça por ai com milhões de dólares gastos em propaganda; e uma obra prima como Siren passar despercebido por tanta gente, que injustiça…

 

Eu sabia que o Siren do PS2 era um survival japonês, mas nada além disso. Nunca joguei. Pois esta versão do PS3 é uma espécie de remake, muito inspirado na série original mas não 100% fiel, acho que a história foi mexida.

Um elemento desta versão do Siren que adorei, por incrível que pareça, foi ele ser feitoem episódios. São12, cada um dura aproximadamente uma hora de jogo (com exceções: primeiro capítulo é 10mins…). No final de cada parte há cenas do próximo episódio, e no início da cada um há uma mini recapitulação do que houve antes. Se você tiver o auto controle de jogar só 1 episódio por dia, o jogo fica muito viciante. Há sempre um gancho no final de cada parte, aquele momento WTF que lhe dá uma curiosidade absurda de ver o que irá acontecer e seguirem frente. Especialmente entender o que houve, imaginar como os personagens irão sair daquela situação. Claro que estou sendo bem vago para não gerar spoilers… Mas este jogo é interessante não só por causa da história, mas pelo gameplay em si.

Aliás, vale comentar que a história parece bem simplória e quase sem graça em algumas partes, mas conforme o jogo progride algumas aberrações acontecem, coisas que não há explicação racional, tudo vem e vai sem fazer sentido, mas com uma tensão crescente. O interesse vai aumentando, porém somente depois que o jogo acaba que tudo se explica (ou tenta pelo menos). Nesse momento você irá vislumbrar o quando complexa, criativa e profunda a história é. Por isso eu aconselho: vá até o fim, compensa. É um tipo de história que merece fazer uma mesa redonda com os amigos para ficar debatendo por horas… viagem japonesa de alto nível… Não posso falar muita coisa para não estragar a surpresa, mas você precisa ter uma mente aberta para tentar captar tudo.

 

Ela começa muito simples: uma pequena equipe de TV vai até o Japão para investigar e documentar a lenda de Hanuda, uma vila que desapareceu entre as montanhas, onde havia a fama de que sacrifícios humanos eram feitos a 30 anos atrás. Mas ao chegar lá a vila não estava despovoada como imaginaram…

Isso é só a base, pois tudo fica muito mais complicado depois.

Interessante é que os personagens são representados por atores reais. Sempre que mostra um elemento da história no inventário (como a carteira de identidade de alguém, por exemplo) tudo é feito com fotos reais. Existe até um falso blog do personagem http://hw-biker.blog-paradise.com/e/index.html , falando um pouco da sua vida no Japão, alem de narrar coisas que tem ligação com o jogo.

 

Vale lembrar que cada episódio precisa ser baixado e instalado individualmente, mas podem ser comprados todos em um pacote.

 

Para ser breve, vou listar aqui o que faz Siren ser diferente (e muito bom) em relação ao gameplay:

 

– Em cada episódio você controla um (ou mais) personagem diferente. Com isso enxerga a história por vários ângulos, sem enjoar da mesma pessoa.

 

– Em cada parte há um objetivo claro e definido – ex: ajude fulano a escapar da vila com segurança. E também há um mapa em 3D com marcações, de onde você está, para onde deve ir, onde tem escadas, portas etc. Nada de ficar perdido pelo cenário! Achei isso essencial para curtir o jogo. E o mapa não estraga a surpresa quando você precisa procurar por algo, ai claro você precisa explorar sem ele dizer onde está o item.

Saber qual o objetivo (missão) a cada momento, além de não ficar perdido no cenário, foram elementos essenciais ao meu ver. Se você não tem uma tarde inteira para jogar, o “desafio” de descobrir o que fazer não é nada interessante. É muito melhor quando o jogo diz claramente o que espera que você faça, e então a diversão esteja em como o jogador irá dar um jeito de realizar isso.

 

– O jogo é um survival clássico, alguns personagens são frágeis e sem armas (como uma criança que precisa fugir de um hospital cheio de zumbis), então o medo é um fator constante. Há uns 50 itens diferentes que podem ser usados como arma, desde objetos comuns até algumas poucas armas de fogo. Mas a grande maioria do tempo você estará fugindo, que é o foco de um survival. Resisent Evil deveria aprender com isso! Siren lhe faz pensar no momento certo de agir, de correr, de se esconder, e sempre lhe deixa em desvantagem, que é a chave para criar horror.

– Há um recurso muito interessante: a possibilidade de ver através dos olhos dos inimigos. Em qualquer momento é só acionar um botão para usar um poder psíquico e entrar na visão dos zumbis, mas sem controlá-los. Assim você pode ver onde eles estão indo e agir de acordo (eles mantém propriedades humanas, continuam trabalhando, fazendo ronda, etc). Tem como dividir a tela em duas partes, mantendo a visão normal do jogo (mas fica mais borrado e lento) junto com a da criatura que está sendo vigiada. Isso permite criar muitas estratégias e faz toda a diferença para que o gameplay não fique frustrante, baseado somente na tentativa e erro.

– Controles simples, além do sistema de observar os inimigos, é só caminhar, correr, interagir com objetos (pegar itens, abrir portas, etc).

 

E além de tudo os gráficos são top de linha! Visual excelente ainda hoje. E uma música angustiante também completa o pacote.

Alguns reviews falam mal dos gráficos, mas eu achei muito bom. Claro não dá para comparar com Uncharted por exemplo, é outro estilo e uma produção mais simples, mas especialmente as partes indoor são muito boas esteticamente.

 

Apesar deste jogo não ter contado com marketing massivo, o Siren antigo do PS2 teve algumas campanhas interessantes. Por exemplo, para divulgar o jogo durante a Games Convention em Leipzig (2006) a Sony distribuiu câmeras fotográficas descartáveis para o público. Por fora só tinha o logo do PS2, não falava nada que era relativo ao Siren. Então o pessoal pegava sem imaginar que era uma ferramenta de marketing e saia tirando fotos. Porém em cada foto tirada (depois de revelar, era com filme comum pelo que entendi), fantasmas e outros rostos assustadores apareciam nas fotos (estavam pré expostos no filme). A última foto explicava o mistério com a frase “O horror está mais perto do que você pensa” – Forbidden Siren 2, para PS2.

 

Bem esperto, hein? Resultado: somente alguns dias depois da convenção começar, o índice de acesso ao site do Siren2 triplicou. Fotos tiradas com a câmera começaram a aparecer por toda internet. Algumas câmeras foram parar no eBay como objetos “cult”. Toda a imprensa divulgou esta nova forma criativa de marketing. (apesar que isso faria mais sentido para o jogo Fatal Frame…)

Aqui fala da campanha de marketing – clique para ver maior:

 

Enfim, este Siren novo deveria ter sido mais divulgado, pois é um jogo fantástico. Se você curte terror, não deixe passar esta obra prima do suspense.