Conforme já tinha comentado aqui, devido ao conflito de datas e envolvimento com o SBGames, este ano nosso evento GDS sofreu algumas baixas: o festival de jogos indie não ocorreu e faltou tempo para divulgação. Mesmo assim tudo funcionou e o evento contou com algumas boas novidades. Pretendemos corrigir todos os problemas no próximo ano.

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Então sendo breve (é a intenção, mas sempre acabo não sendo tão breve assim…) comento o que houve de bom:

 

– Maior diversificação das palestras: sempre fizemos palestras e ou tutoriais sobre programação e arte, além de algumas mesas redondas sobre outros assuntos. Desta vez conseguimos incluir algo sobre áudio também, que é um aspecto tão importante em desenvolvimento de jogos, mas difícil de achar gente da área.

Se pudermos abordar todos os aspectos de desenvolvimento seria ótimo. E são muitos, pois jogo digital é um produto realmente multidisciplinar, envolvendo programação, arte, som, psicologia, produção/gerenciamento, marketing e por ai vai. A idéia é conseguir palestras de todos estes elementos, mas não é fácil encontrar gente (e ainda mais disponível). Então se você conhece alguém que gostaria de ajudar, avise! Sempre lembrando: evento gratuito = verba zero… Nenhum palestrante ou organizador ganha alguma coisa, além do prazer em contribuir um pouco com a área de jogos no Brasil🙂

 

“Humanos Virtuais em Jogos” Prof.Dra. Soraia Raupp Musse (PUC-RS)

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“O Jogo do Som – Técnicas e Influência da Música nos Games” Nei Capellari (Composer Invent Produtora)

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– Post-mortem: Empresa que falam sobre algum projeto concluído, seja jogo ou outro tipo de negócio relacionado, sempre será bem vinda. Desta vez um grupo de alunos montou uma pequena empresa (TheVelopers) e lançou um jogo simples para iPhone, mas a experiência foi muito rica, como eles puderam narrar. Este tipo de palestra é fundamental para melhorar a indústria, trocar informações de como tal projeto foi feito, vendido, administrado, problemas encontrados, idéias para o próximo, etc. Talvez até mesmo projetos em andamento, pegando feedback do público (algo como um beta-test-palestra), poderia ser ótimo. Enfim, toda e qualquer empresa, grande ou pequena (ou minúscula) que queria compartilhar suas experiências será bem vinda. Também falta gente que quer vir e mostrar seu trabalho, avise se conhecer alguém!

 

Pessoal do TheVelopers

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– Palestra do Moacyr – JogoJusto. Não preciso dizer o quanto sou fã do projeto JogoJusto, tínhamos que tentar estimulá-lo no nosso evento. Convidamos o Dep. Luiz Carlos Busato para falar sobre a campanha, fazendo uma mesa redonda com ele. E por que não chamar o próprio Moacyr ? E não é que ele aceitou? E ainda por cima trouxe o dono da UZGames, seu parceiro de projeto. Fantástico. Vale lembrar que eles vieram de SP para cá somente para esta mesa redonda. E não ganharam nem uma janta da gente…🙂 A discussão foi muito boa, com todos os interessados dando suas opiniões e aprendendo mais sobre os grandes desafios que o JogoJusto está enfrentando. No YouTube tem a palestra gravada, pelo pessoal do Busato.

 

Pessoal do JogoJusto

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Algo importante que aconteceu foi o apoio oficial da Unisinos à campanha (finalmente!). Fazia milênios que tínhamos pedido isso e só agora ocorreu. O Moacyr recebeu a carta da Unisinos e agora ela e o logo da universidade estão publicados no www.JogoJusto.com.br. E o nosso contato ajudou a participar mais ativamente no movimento, pois já fomos convidados a colaborar com algum evento no dia do jogo justo (29/01/2011).

 

Recebendo apoio oficial da Unisinos

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(obs: a câmera nesse momento estava ajustada para não usar flash… acabou com o foco😦 )

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– Mesa redonda: o que são jogos indie? Acho que as mesas redondas são sempre muito proveitosas, estimulando a discussão sobre vários assuntos. Desta vez uma das realizadas foi sobre os jogos indies, dando abertura para empresários, alunos (e agora desenvolvedores) e professores falarem sobre a questão. Desde como classificar um jogo como indie (um problema para criar regras de festivais) até os imensos desafios para fazer marketing eficiente, sem gastar muita coisa. Aliás, isso nos deu a idéia de que palestras sobre marketing são bem importantes, e até agora é um assunto esquecido por todos. Muitos estúdios pequenos têm a competência técnica para fazer e lançar um jogo, especialmente em plataformas digitais de distribuição, mas sem marketing as vendas são horríveis… O que adianta ter um grande jogo se ninguém conhece? E como anunciar, onde, quanto? Questões que precisamos responder se quisermos fazer um segundo jogo… Você conhece alguém especializado nesta área que possa ajudar?

Aliás, sobre jogos indies, um grupo de alunos criou um site que pretende ajudar a reunir todos os desenvolvedores independentes e projetos que estão sendo feitos no Brasil, para que todo mundo passa contribuir e se conhecer. Algo como uma comunidade social para criadores de jogos. O registro é gratuito, confira em http://www.left4play.com.br/

 

– Jogos não digitais. Desde que comecei a tratar deles nos meus grupos de estudo em game design, vi o quanto este tipo de jogo é importante e desconhecido por aqui. Abrir um espaço no evento para divulgar os boardgames era algo essencial. A idéia é dar visibilidade para os criadores de jogos não digitais demonstrarem suas criações, conseguindo beta-testers. Mas simplesmente reunir o pessoal para jogar alguns jogos comerciais já era válido para difundir esta cultura e mostrar que o game design está muito além do computador. Desta vez alguns voluntários trouxeram seus jogos no sábado para os interessados conferirem, e apresentaram brevemente os mesmos no auditório na sexta. São jogos importados, pouco conhecidos por aqui, mas muito bons!

Aliás, é um mercado quase morto no nosso país que alguém poderia reviver, seja criando seus jogos ou revendendo. A cultura gamer não se restringe ao vídeo game, assim como o ofício do game designer, é isso que queremos mostrar incentivando os jogos de tabuleiro. Para minha surpresa no sábado de manhã a sala estava cheia com vários jogos sendo apreciados pelo pessoal.

 

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– Exercício de game design: Além da nossa palestra sobre a viagem para GDC (missão técnica Unisinos), o Thomas recriou no sábado o game design workshop, que fizemos lá. Era o mesmo material utilizado, mesmas regras, tudo igual. Uma grande oportunidade para os interessados participarem de um pedacinho da GDC sem custo algum! A idéia é sempre estimular este tipo de coisa, exercícios práticos, visando reflexões imediatas e experiência de mão na massa no assunto.

Desta vez misturamos eventos técnicos no sábado, para não ficar tudo que é “sério” na sexta e só os jogos (campeonatos) no sábado. Nos anos anteriores sempre foi uma surpresa ver tão pouca gente no sábado (ninguém quer jogar?), então colocar algo além dos jogos no segundo dia do GDS ajuda a estimular a participação completa no evento. Vamos seguir esta tendência.

Sempre há o problema de quem quer jogar acaba não participando de outras atividades que ocorrem ao mesmo tempo dos campeonatos. Mas se não fizermos eventos paralelos, não há tempo para uma outra coisa nem outra… Por enquanto pensamos em fazer na manhã eventos técnicos e os jogos na tarde. Mas os de tabuleiro acontecem o dia inteiro, pois são demorados. O ideal é que tenha público para tudo e que participem ativamente de todo cronograma no sábado (além da sexta, claro).

 

– Multi campeonatos: Antes fazíamos Guitar Hero, Rock Band, Mario Kart. Mas pouca gente vinha. Agora a idéia é qualquer coisa que houver voluntário. Qualquer um que queira colocar um jogo seu (original) no campeonato pode. É só avisar antes, criar as regras, levar o console e jogo no dia e pronto. Mais prático e diversificado. Desta vez tivemos vários pequenos campeonatos de COD, Mario Kart, Worms (acabou abortado pois estava demorando muito!), Street Fighter 4 e Smash Bros. Os vencedores ganharam vale locação (filme e jogos ps3) do nosso parceiro E O Vídeo Levou. Os organizadores dos campeonatos também ganharam, devido ao seu auxílio no evento.

 

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O que não deu muito certo (para não falar errado):

 

– Tá certo que não conseguimos divulgar para a comunidade externa da Unisinos a tempo de esperar um grande público, mas para os nossos alunos foi comunicado durante uma semana (pelo menos), através da lista de email e avisos ao vivo. Além disso, o pessoal foi liberado das aulas para participar.

Mesmo assim, o auditório ficou somente com lotação de 30% aproximadamente. Com exceção dos que trabalham (de manhã até a noite??), cadê o resto do pessoal? Eu esperava no mínimo o dobro ou triplo do público. O que há de tão mágico em casa para não vir? Talvez fosse um capitulo decisivo da novela das 8h, talvez uma grande colheita imperdível no FarmVille ou algo do tipo….. sei lá. Mesmo quem não tinha interesse em nenhuma palestra ou mesa redonda, pelo menos poderia ter vindo para demonstrar o apoio ao JogoJusto…. Será que o pessoal não tem noção do quanto isso é importante para o futuro do nosso mercado? Quem planeja trabalhar com jogos irá se beneficiar muito se tudo der certo. Grande parte do grupo do JogoJusto veio de outro estado, na maior boa vontade, para prestigiar nosso evento, e cadê o público? Achei um fiasco ter tão pouca gente.

Se só metade de todos os alunos tivesse vindo já teríamos lotado o auditório… É realmente muito desanimador criar um evento para as próprias pessoas da casa aproveitarem e tão pouca gente vir de fato… Mas enfim, os que vieram fizeram valer a pena, ouviram com atenção, participaram com sugestões, tiraram fotos e tudo mais. No fim são para estas pessoas que trabalhamos, para os poucos realmente interessados que fazem tudo valer a pena. E seguiremos na luta, enquanto houver pelo menos uma pessoa querendo participar, iremos continuar produzindo o GDS.

 

– Filmagem do evento… not yet. Nos disseram que o pessoal da TV Unisinos iria gravar a mesa redonda com o JogoJusto, mas ninguém apareceu. Fail.

Enfim, não interessa de quem é a culpa da falta de comunicação, ano que vem temos a idéia de filmar tudo, talvez criar um canal no youtube para postar, etc… Veremos se há como cobrir este custo.

 

– Falta e atraso: Palestrante sobre arte 3D não conseguiu chegar a tempo devido a problemas pessoais. Além disso, outras palestras atrasaram, era muito assunto para pouco tempo, fora as perguntas. Pensamos em aumentar o tempo médio das atividades para o próximo ano, além de controlar melhor o horário de alguma forma.

 

– Proximidade com SBGames X quase época do vestibular = problemas. Para conseguir os auditórios disponíveis, não atrapalhar as aulas nas épocas de provas e trabalhos finais e ter tempo de organizar tudo depois do SBGames (que ocupa bastante nosso horário), talvez a solução seja realizar o GDS no primeiro semestre do ano. É uma possibilidade. A idéia é tudo ficar pronto com 2 meses de antecedência para divulgar bem e com calma. Principalmente para dar tempo ao pessoal que quer enviar seus jogos ao festival indie (seja digital ou não digital). Mas por experiência própria a grande maioria dos nossos convidados (palestrantes) só consegue informar com certeza se irá participar mais encima da hora, então sempre é complicado, mas vamos tentar fazer tudo com antecedência.

 

É isso, mais um GDS passou. As boas lembranças ficarão nas nossas cabeças (inspirando e estimulando novas idéias), já as ruins incentivarão mudanças.

E vamos para o próximo.

Só espero que o pessoal não dê mais importância para a novela…🙂

 

Mostra de arte conceitual

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 Alguns dos boardgames degustados

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Pessoal aproveitou uns gizes sobrando na sala… GDC-desenho1 GDC-desenho2GDC-desenho3