No curso de graduação em jogos digitais da Unisinos, são formados programadores. Porém há também uma boa noção de arte 3D e game design. Para os alunos que querem se aprofundar mais nestes aspectos, existem algumas opções como cursos de extensão ou grupos de estudo. No caso do game design, eu coordeno 2 grupos de estudo.

 

Funciona assim: alunos que já cursaram as disciplinas que tratam sobre isso no curso, e tiveram ótimo desempenho (notas, interesse, etc) são convidados a participar (somente 4 alunos por vez). Dentro do grupo temos uma comunidade virtual para postar as atividades e um encontro semanal de 1h (muitas vezes dura mais que isso!) para discutir os assuntos.

Lá tratamos de coisas mais profundas e filosóficas, indo de análise de livros até criação de jogos não digitais, passando por palestras (excelentes por sinal) do Jonathan Blow (criador de Braid), análise de art games e das cartas do livro The Art of Game Design, dentre outras coisas.

Quem passar pelo grupo 1 pode curar o 2, onde um protótipo de jogo é criado do zero em mais um semestre (cada grupo dura um semestre).

 

Bem, estou aqui para exibir uma amostra da produção de jogos não digitas de um dos grupos. Eu usei o livro “Challenges For Game Designers: Non-digital exercises for vídeo game designers” para pegar e adaptar alguns exercícios, que são lançados como desafios para o pessoal desenvolver um protótipo. Eles têm uma semana para criar algo funcional (cada um faz o seu), que será trazido para teste e discussão no grupo. Depois na outra semana o jogo volta modificado com a ajuda deste feedback. Desta forma em meio semestre cada membro do grupo cria 5 protótipos de jogos não digitais.

 

Este é um exercício que recomendo qualquer pessoa interessada em game design fazer: criar jogos de papel. A arte não interessa, pode ser desenhado na mão ou roubado parte de um gráfico de outro jogo, as peças podem ser grãos de feijão ou botões (qualquer coisa que tiver disponível), enfim o que vale é criar regras interessantes que formem um jogo divertido. Quando mais tosco a arte, mais fácil alterar depois.

Quando se exercita no papel sua habilidade de criação, o resultado pode ser refinado muito mais rapidamente do que se for feito de forma digital, pois não há preocupação com nada técnico, sem programação ou arte 3D para perder tempo. O foco do game designer é criar regras, experiências, e conseguir equilibrar tudo, então o papel basta!

 

Quando o primeiro grupo fez seus exercícios não me lembrei que poderia ser interessante tirar umas fotos e colocar aqui para incentivar outras pessoas a fazer o mesmo. Agora no segundo grupo que passa por esta fase, registrei em imagens e coloco abaixo para sua apreciação:

 

(obs1: não vou explicar regras nem temáticas: mas há ai desde batalhas espaciais até infestações zumbi, além de recriações de jogos digitais em forma não digital… )

 

(obs2: notei que geralmente os primeiros jogos são criados com muitas regras, dados, cartas, complexidade em geral. Com o passar do tempo o criador percebe que é mais divertido fazer algo simples e direto, então os jogos finais acabam sendo mais fáceis de jogar e elegantes, com poucas regras, sem dados ou muitas cartas, etc. É interessante ver esta evolução!)

 

Protótipos de Lucas Zanenga:

Lucas_tab5 Lucas_tab2Lucas_tab1  Lucas_tab4Lucas_tab3

Protótipos de Grégory Rodrigues Torres:

(Ele gastou por sua livre e espontânea vontade um cartucho colorido da impressora para fazer tudo isso… (o primeiro tabuleiro tem tamanho de 4 folhas A4). Mas algo feito a mão bastaria!)

Greg_tab15  Greg_tab13Greg_tab14Greg_tab4Greg_tab2Greg_tab1   Greg_tab5 Greg_tab6 Greg_tab7     Greg_tab20Greg_tab21

 

Protótipos de Jones Gonçalves:

Jones_tab1 Jones_tab2 Jones_tab3 Jones_tab4Jones_tab7

 

É isso ai! Treine sua criatividade usando papel! É rápido e um bom exercício para a mente. Muitos designers profissionais testam suas idéias em papel primeiro, para só depois produzir o jogo digital. Se não é divertido nem no papel, não adianta perder tempo programando…