(Obs: Este post é fruto de um devaneio forte. Não sei se isso faz sentido para alguém além de mim… leia por sua conta e risco…🙂 )

Será que o vício em jogos pode ajudar na “vida real”? Hmm… vamos filosofar um pouco sobre isso…

vicio

Achievements – eis um recurso curioso que os jogos usam atualmente. Com exceção de alguns que premiam o jogador com algo mais concreto (como Team Fortress 2, que dá armas novas), a maioria dos títulos não presenteia o jogador por conseguir tais façanhas. O máximo é uma marcação em uma lista de objetivos, ou ícone aceso no seu profile.

No steam é bem comum, acho que grande parte dos jogos vendidos lá oferecem os tais achievements. Muitos jogadores adoram cumprir todos os objetivos do jogo, e vão caçar estes desafios até realizar todos. Na maioria das vezes a única recompensa é o ego, se sentir bem com o feito. Claro que também tem a exibição pública, pois no steam está disponível para todos verem seu profile, exibindo suas façanhas. Mas mesmo que não estivesse online, muita gente iria atrás dos desafios extras só pelo puro prazer da realização.

Como tinha comentado antes, podemos explicar esse comportamento por causa do vício que a endorfina causa no cérebro. Ganhamos esta endorfina ao realizar tarefas e ter o sentimento de vencer, a satisfação da vitória.

Mas esse vício pela satisfação se reflete na vida real?

Não seria bom se refletisse?

Ex hipotético: tenho uma semana de prazo para corrigir 70 provas e 20 trabalhos. Por mais goste do que faço, é uma tarefa longa e cansativa. Eu iria receber minhas endorfinas e o sentimento de satisfação ao realizar esta façanha da mesma forma e intensidade do que quando conseguir vencer um achievement difícil em um jogo?

Acredito que para a maioria das pessoas não; a vida real não dá a satisfação e o vício de “querer mais” como acontece no mundo virtual. Mas se eu tentasse reprogramar minha mente para tornar isto possível? Tentar lembrar do sentimento de realização de um achievement virtual e aplicar na vida real. Configurar minha mente para ter a felicidade equivalente ao executar tal tarefa. Se conseguir fazer isso, em vez de ter vontade de jogar um jogo, poderia ter mais vontade de corrigir minha pilha de provas, pois a satisfação seria equivalente no fim.

Será isso possível? Talvez difícil no início, mas com treino poderia funcionar. Imaginem que fantástico: tenho que lavar a louça acumulada de toda semana, ótimo! Eu quero e preciso conquistar esse achievement, vamos lá! Pense em todas as tarefas chatas e monumentais do dia-a-dia, como seria prazeroso ir atrás delas com gosto, na ansiedade da endorfina da realização! Assim como nos jogos, pois ao executar um dificílimo achievement que levou 20h de trabalho para conseguir, o jogador fica feliz e já parte para o próximo.

Pois como sabemos a endorfina vicia o cérebro quase da mesma forma que drogas reais viciam. Se conseguir adaptar, mesmo que parcialmente, este vício de realização para a vida real, terei grande satisfação de realizar qualquer coisa. Talvez esta “coisa” poderia ser algo que eu teria que fazer de qualquer maneira, só que talvez não iria me sentir tão bem por isso, se não tivesse reprogramado e reconfigurado minha mente.

 

Assim ao invés de fazer algo para me livrar daquilo (pois era algo chato que não iria ganhar nada fazendo, a princípio), tentarei fazer o melhor possível para ter a satisfação de executar bem tal objetivo. E isso irá me viciar, querendo sempre ir para a próxima tarefa, criando uma onda positiva de eficiência e alegria. E quanto mais difícil e chato a tarefa, mais satisfação e maior o pingo de enforfina! Seria o lado positivo do vício, voltado à algo bom. Se todo mundo pudesse fazer isso, pelo menos um pouco, teríamos um mundo mais feliz e produtivo.

(Dica para alunos: apliquem esta técnica para todos os trabalhos do semestre, além do TCC!)

Inclusive este pensamento pode ser usado para atos altruístas. Assim como os viciados em drogas roubam e matam para sustentar seu vício, quem sabe na busca eterna do seu pingo de endorfina diário você possa tomar a atitude de entrar em uma ONG, ajudar em um asilo, participar da campanha do agasalho, dentre tantas outras formas de colaborar com o próximo. Mesmo que no fundo seja só uma forma de alimentar seu vício (praticamente um princípio egoísta – satisfação pessoal), no fim o que conta é o ato de ação para algo saudável.

Não quero dizer que todos que se dedicam à ajudar os outros são viciados em seus próprios cérebros, mas o conceito da idéia é responder aquela questão do egoísta:

Fulano: “Vamos fazer tal ação para ajudar os outros?”

Ciclano egoísta: “O que eu ganho com isso?”

Fulano: “Endorfinas !!!”🙂

No fim todo mundo sai ganhando, quem fez e quem recebeu a ação.

Além disso, este comportamento pode influenciar outras pessoas, e no fim uma pequena ação de um indivíduo pode resultar em uma reação em cadeia realizada por várias pessoas, afinal todo mundo já nasce viciado em endorfinas, basta incentivar o vício do mundo, mas focado em algo positivo. Hmmm… isso pode virar uma tese de doutorado, ou o início de um nova religião…🙂

Bem, não sei se essa teoria faz algum sentido, mas tive a idéia e deixei fluir o texto. Fica a dica de reprogramação mental para quem quiser tentar. Me avisem se funcionou, ou se alguém entendeu de fato o que eu quis dizer com tudo isso. Eu acho que entendi, mas não tenho muita certeza…