Produzido por Xatrix Entertainment.

Ano: 1994

(plataforma: PC, também portado para 3DO, Saturn, PS1)

O primeiro contato que tive com Cyberia foi através de um demo que vinha naquelas “revistas do CD-ROM”, que existiam antigamente. O jogo tinha um história de ficção científica, era uma mistura de aventura com puzzles e certas partes de ação. Mas realmente o que mais me chamou a atenção foram os gráficos, muito detalhados para a época.

A movimentação do personagem era “em trilhos”, fixa em pontos determinados. O jogador só poderia virar o personagem de um lado para outro, ver onde ele poderia caminhar e então mandar ele ir para lá.

A demo era interessante, criava expectativa para o jogo final, demonstrando ter uma boa história, ótimos gráficos, um universo rico e bem produzido.

Depois de um tempo consegui jogar o jogo completo e gostei muito. A interatividade era baixa (só caminhar para um lado ou outro através de caminhos pré determinados, resolver alguns puzzles lógicos, dentre outras cenas de ação), porém naquela época não dava para exigir muito… Em relação à concorrência, Cyberia se destacava pelo visual, além da história. As partes de ação eram muito empolgantes, com corridas de carro e nave, atirando em inimigos. Também eram cenas pré renderizadas, onde o jogador só precisava clicar nos alvos rapidamente para destruí-los, antes que levasse um tiro.

No início do jogo poderia ser escolhido duas dificuldades diferentes, uma para a parte de ação e outra para a parte de puzzle. Mas não era permitido escolher “fácil” para as duas, pelo menos uma delas deveria ficar no médio.

Fui um jogo que gostei muito e fiquei de olho, esperando uma continuação. Naquele tempo não era tão comum os jogos terem continuações, hoje em dia qualquer coisa que venda um pouco com certeza terá uma continuação (ou mais) garantida.

[ Romance, tortura, puzzle e ação juntos ! ]

Pois a tal continuação surgiu em 1996, com Cyberia 2 – Ressurection. Por sorte ganhei uma viagem para Fenasoft (SP) e pude comprar o jogo lá. Estava fazendo graduação naquele tempo, e o curso fez uma promoção para os três melhores alunos, que ganhariam a viagem. Eu fiquei em quarto, mas o terceiro colocado não pôde ir, então fui no lugar dele. 🙂

Bem, ninguém tinha dito que a viagem era de ônibus… mas enfim, de graça não dá para reclamar. O maior problema foi um colega sem noção que colocou a fita cassete do Tiririca no meio da viagem… (várias vezes e no alto falante do ônibus para todo mundo ouvir, não tinha como fugir… 😦 )

Ao final desta odisséia, voltei meio torto e cansado, mas com o jogo debaixo do braço.

Mais cenas de ação, continuação direta da história do primeiro do jogo, ótimos gráficos – a seqüência era um pouco mais do mesmo, mas ainda assim continuava bom.

Um pouco de puzzle
Um pouco de puzzle…
Seguido de um pouco de ação !
Seguido de ação !

Interessante que naquela época as caixas dos jogos eram enormes, apesar de não ter quase nada dentro, talvez para justificar o preço.

caixas1
Veja a diferença entre os tamanhos das caixas de Cyberia2 (1996) e The Orange Box (2007).
poster
Pelo menos vinha um pôster dentro da caixa, mas ele não era grande coisa. (Já era feio na época, hoje em dia é ridículo)
jogoteca
A maior caixa da minha jogoteca!

Veja que divertido: estes eram os requisitos de máquina e sistema operacional para rodar o jogo, conforme consta no manual:

– 486DX 50Mhz   (ha, lembram disso?)

– MS-DOS versão 5 ou melhor  (o velho e bom DOS)

– CD-ROM 2X

– 8Mb RAM  (imaginem hoje algo rodar nessa miséria de memória…)

– 256K vídeo RAM   (sem comentários…)

O jogo nem instalava nada no HD, rodava direto do CD. (somente um pequeno arquivo de save era criado).

Não tenho muito mais o que dizer sobre este título, além de que com certeza foi um dos jogos mais memoráveis de vários anos atrás. Achei ótimo a mistura de ficção científica, puzzles e ação. Hoje em dia muitos adventures excelentes fazem isso, como Beyong Good and Evil, que tambén conta com partes focadas em stealth, outros minigames opcionais e muito mais. Talvez Cyberia foi um dos jogos que tornou mais popular esta mistura, criando a base para os action-adventures que temos hoje em dia.

A produtora Xatrix acabou sendo comprada pela Activision, depois trocou de nome para Gray Matter Studios, para então se fundir com a Treyarch. Ou seja, a equipe original que trabalhou nesta série deve ter sido diluída, mas seu trabalho ficará sempre vivo na mente de todos que experimentaram o universo fantasioso e criativo de Cyberia.

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