Produzido por Harmonix.

Ano: 2007 (RB1) e 2008 (RB2)

Depois de falar de algumas velharias, eis um jogo mais moderno que certamente marcou minha vida de jogador (pois é praticamente só o que meu PS2 executa atualmente).

Rock Band para mim poderia se chamar Drum Hero, pois o que me fez interessar muito por ele foi a bateria. Eu sempre adorei bateria, especialmente as mais técnicas e velozes de ótimas bandas como Nevermore, Dream Theater, Blind Guardian, Arch Enemy… Até cheguei a procurar aulas de bateria na cidade, alguns anos atrás, mas não encontrei nenhum lugar, só achei professores que dão aula particular se o aluno já tiver bateria em casa. Como meu objetivo era mais experimentar o instrumento como hobby, larguei de mão. Mas também ter aula e não poder praticar em casa fica difícil. E bateria em apartamento não dá… falta espaço físico (se ela entrar eu tenho que sair, eis os problemas de apartamentos tamanho “kinder ovo”) além do barulho, pois não estou a fim de forrar todas as paredes com caixas de ovos e cimentar as janelas…

Então só me restou a simulação de bateria. Um jogo que uniu essas grandes maravilhas (bateria e rock and roll) se tornou muito tentador para mim.

Antes de seguir a minha saga com o jogo, vou falar um pouco da história do estúdio responsável pelo título: Harmonix

 

UM POUCO DE HISTÓRIA

Esta empresa sempre focou em jogos musicais (a grande maioria da equipe é formada por músicos de verdade; até o nome completo do estúdio é Harmonix Music Systems, Inc). Alguns dos fundadores eram do Media Lab do MIT  (oh my!!!) e desde aquela época faziam projetos de interação entre música e jogo. Depois de inaugurado a Harmonix, durante muito tempo eles tinham em mente criar algo como um simulador de banda, onde todo mundo poderia tocar junto, cada um com um instrumento, etc. Porém imaginem isso a vários anos atrás, com videogames simplórios… era uma idéia muito ousada e quase absurda para a época.

Depois de vários jogos publicados, como uma série de karaokê, e alguns shooters musicais estranhos (abaixo), produziram Guitar Hero no final de 2005. Bem, nem preciso dizer que isto foi uma revolução para a empresa e para indústria em si, pelo sucesso astronômico.

Também apreciei Guitar Hero (mas com mais de um ano de atraso), conforme comentei em outro post.

Então foi lançado GH 2 no final de 2006 e depois houve uma “dança das cadeiras”. A Harmonix foi comprada pela MTV Games; e a empresa que fazia as guitarras e era a publicadora, RedOctane, foi comprada pela Activision.

Assim a série Guitar Hero está sendo produzida hoje pela NeverSoft e publicada pela Activision. E a Harmonix criou sua série Rock Band, que é publicada pela EA. Ou seja, agora ela faz concorrência com sua antiga criação. E claro que a série GH não iria ficar atrás e na sua última versão (World Tour) também incorporou bateria e microfone ao jogo.

Até hoje a Harmonix fez Rock Band 1 e 2, os pacotes de expansão para PS2 (um pacote de 20 músicas standalone) Rock Band Track Pack 1 e 2, além do AC/DC Track Pack (gravação de um show ao vivo do AC/DC, muito bom). Ah, eles estão trabalhando em um novo projeto dos Beatles, sem muita informação ainda.

OK, CHEGA DE HISTÓRIA

Enfim chega de história da empresa, vou falar da minha experiência com o jogo, começando pela novela de sempre: como comprar o instrumento, no caso a bateria.

Assim que fiquei sabendo que RB seria lançado para PS2 também, além dos consoles next gen, comecei a pesquisar como comprar a dita cuja. Em algumas lojas de jogos em POA poderia ser encomendado por um preço absurdo, ou seja, não era a solução.

No fim o processo foi bem mais rápido e fácil do que comprar a guitarra do GH. Arrisquei e dei sorte com um vendedor do mercado livre. Era um brasileiro que morava no exterior e compraria a bateria lá no nome dele, depois reenviando para mim como um embrulho pessoal. Demorou um bom tempo para chegar, mais de mês, mas deu tudo certo.

Eu não poderia fazer isso diretamente (comprar de uma loja virtual americana), pois pelo tamanho do pacote (também devido a questões de garantia) nenhuma loja virtual enviava para fora dos EUA. Assim não tinha opção. A compra no mercado livre foi arriscada, como sempre, mas o vendedor foi honesto e tudo funcionou. O valor que ele cobrou era metade do que as lojas daqui estavam querendo. Então com um pouco de coragem e paciência, consegui.

O legal é que a bateria é a mesma da versão PS3 (liga via usb) assim se tiver um dia o RB do PS3 tudo funciona 100%. (Já a guitarra do PS2 não sei se funciona no PS3 com adaptador para usb… ) Outro fato curioso é que a bateria também é reconhecida no PC, como um joystick normal. Tem até um programa freeware chamado Drum Machine que permite tocar no PC, carregando sons para executar a cada batida. Nada incrível, mas dá para brincar um pouco.

 

IMPRESSÕES DO “INSTRUMENTO”

A bateria é realmente muito boa, a guitarra fica sem graça depois dela. Batucar em coisas é muito mais divertido do que só acionar botões. Mas vamos falar dos lados negativos:

1- Considere que isto é um controle em forma de bateria, não é um instrumento de verdade. Ou seja, é de plástico e um pouco apertado especialmente se você for alto, ou não tiver muito espaço na sala na frente da TV ou não tiver um banco com ajuste de altura (ex: usar um banco safado de supermercado), pior quando tudo isso acontece ao mesmo tempo, que foi o meu caso.  :)

2- Ela faz um barulho ao bater, que não tem ligação com a música, é o barulho de bater em plástico. Mas isso pode ser melhorado (leia mais abaixo).

3- Tem muita gente que reclamou que o pedal é fraco e acaba quebrando nas músicas mais intensas.

Isso realmente pode acontecer, mas eu acho que é pura estupidez de quem está tocando. Sentar o pé como se fosse uma britadeira não ajuda em nada na performance do jogo, aliás só atrapalha. De qualquer forma tem como corrigir o pedal quebrado com acessórios de metal que podem ser comprados até na amazon.

Bem, o primeiro item foi o que mais me incomodou. Especialmente o posicionamento do pedal em relação a bateria. Existem 2 barras de reforço nos pés, onde o pedal se apoia.

 

Mas se você for grande como eu (+- 1,90m) sentando numa distância do kit confortável para os braços, permitindo bater no meio dos pads, sua perna irá seguir mais longe do que o pedal pretende ficar. Assim você fica com a perna encolhida, algo muito desconfortável e impossível de jogar. Uma solução que encontrei foi tirar o pedal desse lugar padrão e colocar na direita, no lado do pé preto, bem mais a frente. Isso ajuda, porém o pedal fica solto no chão (nas músicas intensas ele sai andando pela casa a cada pisada), além do joelho ficar meio prensado abaixo do pad verde.

Acabei amarrando uma fita no suporte do pé para prender o pedal no lugar (veja abaixo na parte sobre Mod´s), o que ajudou. Porém agora em vez do pedal querer sair andando era o kit inteiro que se movia…🙂

Por fim o método que estou usando hoje, e parece ser bem melhor, é retirar uma das barras de suporte dos pés e colocar o pedal mais na frente. Assim fica mais confortável e deixa o joelho livre.  (mas preciso de um banco mais alto)

 

DESAFIOS

O maior desafio de RB é a coordenação motora do próprio jogador. Neste título os maiores inimigos são seus braços e pernas. Logo no início a primeira coisa é conseguir bater no meio dos pads. Pode parecer ridículo, mas até ter uns minutos de treino é normal acertar as bordas da bateria, a própria perna, ou quem mais estiver por perto.

Mas claro, isso é um desafio muito fácil, logo os braços acostumam a ir automaticamente para o pad certo e sem errar o centro deles. Batucar com as mãos é fácil. O problema é o pé maldito.

Caso alguém não saiba, a base de funcionamento do jogo é muito simples, basta acertar as notas correspondeste aos pads, quando elas estiverem na base da tela, e a linha amarela é o pedal. Muito parecido com Guitar Hero, com exceção do pedal.

No meio bateria, nas laterais guitarra e baixo, no topo vocal.

Eis então o desafio do pé… Primeira coisa: como pisar no pedal ? Existem várias formas de fazer isso. Pode ser “acelerando” o pedal como se fosse o acelerador de um carro; ou pode ser pisado com o pé reto, levantando o calcanhar e toda perna; ou pode ser feito isso com a ponta do pé abaixada; ou ainda pode ser feito uma mistura dos dois, descendo o pé reto e na subida “acelerando” para acionar o pedal duplamente, etc.

 

 

Essas técnicas são de bateria de verdade, no youtube tem vários vídeos a respeito. Claro que é muito diferente um pedal de metal pesado, com todo o mecanismo do bumbo (oferecendo maior inércia), do que um de plástico que só lê o ponto de contato máximo.

Ex: técnica de Double Bass:

Eu geralmente uso o “acelerador” (calcanhar baixo), que é o mais fácil e intuitivo, em músicas com pouco pedal, e nas partes mais rápidas o pé reto levantando toda perna (calcanhar alto). A questão é que o “acelerador” exige que rotacione o pé, e fazer isso muito seguido cansa demais. Com o pé reto é mais difícil pois tem que levantar a perna inteira, mas a articulação do calcanhar não sofre.

Então descobrir um método de acionar o pedal, se posicionar de forma confortável, já é o início do desafio.

 

A INDEPENDÊNCIA DO SEU PÉ

Assim como o Guitar Hero tira o pó da conexão entre seu cérebro e dedo minguinho, Rock Band faz a mesma coisa com seu pé. Ele lhe ensina (tenta pela menos) a movimentar pé e braço de forma independente (o fundamento básico de qualquer baterista).

Vou fazer uns gráficos para mostrar como o jogo progressivamente ensina isso.

Primeiro o básico, acionar o pé junto com a mão. Ou seja, a linha do pedal encaixada com uma nota.

rb1

Isso lhe ensina que basta pisar quando ver uma nota com a linha. A mão continua trabalhando, então seu pé funciona junto com a mão.

Próxima lição:

rb2

Isso lhe ensina que nem sempre mão e pé devem trabalhar juntos. É uma lição difícil de processar, pois quando o pé trabalha o cérebro também manda sinal para mão. É irritante pois você vê a linha sozinha, só pensa em pisar, mas a mão maldita faz carreira solo e bate sem lhe avisar.

Depois de um tempo de luta contra seu cérebro finalmente você processa esta lição. E claro que o jogo intercala uma coisa com a outra na mesma música…

Próxima lição:

rb3

Isso lhe ensina que às vezes o pedal não acompanha a mão, mas deve ser acionado muito próximo do “tempo da mão”, logo depois… Ai já viu o problema, ou o pé acerta e a mão estraga todo o ritmo ou a mão fica firme mas o pé aciona junto com ela.

Depois de mais treino você consegue manter a mão e atrasar um pouco o pedal.

Ai vem coisas como:

rb4

Bem, a essas alturas você já passou pelo “bouble bass” (duas pedaladas bem seguidas), mas desta forma é um novo desafio. Agora a mão tem que ir uma vez junta e logo depois não.

As músicas mais complicadas misturam tudo isso a toda hora em grande velocidade.

Prepare-se para isso:

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E isso…

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Mais isso…

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E por ai vai…

 

VERSÕES

Tudo que falei aqui é referente à bateria de Rock Band 1. Hoje em dia há uma vantagem que as empresas concorrentes estão procurando fazer seus instrumentos funcionar em todos os jogos. Então mesmo havendo alguma incompatibilidade entre as guitarras de todos Guitar Heros e Rock Bands, as baterias funcionam entre si. Não testei pessoalmente mas me disseram que sim. (existem listas de compatibilidade disponíveis)

Eis a versão aprimorada de RB2:

Versão 2 da bateria oficial Rock Band (itens piscando são opcionais)

Apesar da pequena diferença estética em relação a primeira versão, os pads estão mais silenciosos além de sensíveis a velocidade (som diferente no jogo se bater mais forte ou fraco), pedal com reforço de metal, possibilidade de colocar pratos extras (vendidos separadamente). Os pratos são só uma redundância do pad da mesma cor, não muda o gameplay é só para ficar mais realista. (ex: em vez de bater no pad verde, bata no prato com a marcação verde, etc). Posição e altura dos pratos ajustáveis.

Eis a bateria do Guitar Hero World Tour:

Esta também tem pads silenciosos com sensibilidade a velocidade de batida, pedal solto no chão, com pratos de fábrica. Possui conexões extras para acessórios futuros, como o segundo pedal para o GH:Metallica que será lançado brevemente. (muito bom isso!)

Notem que são só 3 pads, mas os pratos não tem função redundante, assim dá o total de 6 formas de input (3 pads+2pratos+pedal), ao contrário de 5 formas da bateria de RB (4 pads+pedal; prato redundante não conta). Essa diferença faz as músicas de GHWT ficaram um pouco estranhas ao jogar com o kit de RB, pois é eliminado as notas laranjas que seriam o segundo prato.

(Opinião pessoal: As músicas de RB2 são muito superiores as de GHWT, assim como a interface é mais limpa e eficiente. Tem gente que comprou a bateria de GHWT mas acabou usando para jogar RB2…)

Uma opção estranha que ninguém deve considerar, mas todo caso vale como ilustração: ainda existe a bateria do Rock Revolution:

Resumindo: esqueça que isso existe…

Este é um jogo da Konami, que recebeu notas horríveis e não merece nossa atenção… Pelo menos conseguiu a façanha de ter a bateria mais bizarra.

Mas para o baterista “fake” que se leva a sério e tem $$$ e espaço disponível na sala, eis a melhor opção de todas: ION Drum Rocker Kit !

Esta beleza é feita com partes de alumínio, totalmente configurável (posição de cada pad) e pedal de metal. Custa U$300 (mas o terceiro prato é opcional).

O interessante é que se você trocar o “módulo de controle de jogo” por um “drum brain (sistema de processamento de som)” profissional, ela vira uma bateria eletrônica de verdade. Então é um investimento que pode ser facilmente adaptado para virar um instrumento de fato.

Pelo que li por ai, evidentemente esta bateria ION é o melhor controle de jogo. A bateria do GHWT também parece boa, e a pior de todas é a que eu tenho, a versão do RB1. Mas como nunca usei as melhores, e não tenho intenção de comprar outra, está bom assim. Um fato que ajuda muito a tocar com estas baterias melhores é a baqueta ser impulsionada de volta pelo pad (ricochetear ou repicar), algo que é bem fraco na versão mais antiga.

MOD´S

Existem vários mod´s (modificações) que as pessoas fazem com o seu kit.

Eu fiz algumas modificações simples com o meu:

bat1

Coloquei EVA (uma espécie de cartolina de borracha que se compra em qualquer papelaria) colada com fita adesiva dupla face (várias tiras para fixar bem) sobre os pads. Basta recortar círculos e colar sobre. Isso ajuda a abafar o som e protege os pads originais. Além de deixar o visual um pouco mais discreto (usando EVA preto, claro). A grossura seria de uns 4mm, se colocar muito mais que isso pode comprometer a sensibilidade (bater fraco e o jogo não registrar).

Também removi uma barra de suporte do pé para colocar o pedal mais na frente, conforme tinha falado antes. Aquelas fitas penduradas no pé direito são para ajudar a manter o pedal no lugar se ele for usado no lado direito dos pés, bem a frente. (mas não estou fazendo isso no momento)

Se você der uma olhada rápida na internet, verá que existem vários mod´s famosos para alterar a bateria. Muitos são sobre como consertar um pedal quebrado, ou colocar um pedal normal de bateria para funcionar com o jogo, outros são para arrumar pads que deixaram de funcionar direito. Um mod curioso é o Coin Mod, que seria fixar uma moeda comum entre os censores do pad (tem que desmontar a bateria). Dizem que melhora a sensibilidade e ressuscita pads defeituosos…

Mas o mais bizarro é o Sock Mod. Não sei como o autor descobriu isso, mas este mod consiste em pegar 4 meias (meia de colocar no pé mesmo) e 4 elásticos, então prender as meias sobre os pads com os elásticos. Isso melhoraria a sensibilidade e abafaria bem o som. Além do efeito extra de deixar seu kit com um visual grotesco e ridículo. (parece um varal de meia).

 

Tem gente que pega uma bateria normal de verdade e adapta para funcionar no jogo. Outras pessoas já usaram 2 kits ao mesmo tempo, para ficar com dois pedais. Existe no mercado pedais profissionais que podem ser usados no jogo ou em bateria de verdade também.

Outro mod complexo é esse aqui embaixo. Foi adaptado uma bateria de verdade e os gráficos do jogo (as notas passando) são projetados em óculos especiais, ligando tudo no Xbox360. Assim pode-se tocar normalmente enquanto ao mesmo tempo vê as notas na sua frente, sem precisar de TV. (o óculos em si pode ser comprado pronto, é um projetor genérico de qualquer vídeo, o maior trabalho do autor foi ligar todo o resto)

Na descrição do vídeo fala como ele montou tudo, além do link para seu site que mostra outros equipamentos exóticos.

LET´S PLAY

Encerrando a odisséia deste post, gostaria de deixar alguns vídeos de músicas interessantes. RB2 tem músicas muito boas, uma das minhas preferidas é Panic Attack do Dream Theater. Veja aqui Mike Portnoy tocando:

E como ficou a adaptação no jogo:

(obs: certas partes permitem improvisação na bateria para acionar o “especial”, equivalente a inclinar a guitarra em GH; isso ocorre quando existem grandes barras coloridas ao invés das notas tradicionais)

Outro clássico, Painkiller, Judas Priest:

E para quem quiser relaxar suas mãos e pernas com algo mais light, um pouco de Death Metal:

É isso. Se você gosta de rock e tiver a chance de adquirir a bateria por um preço justo (pedindo para algum conhecido trazer de fora, importando de algum jeito), não pense duas vezes. RB é excelente e diversão garantida por meses ou anos.