Desenvolvido por Eric Chachi (gamedesign, arte e programação); Jean-François Freitas (músicas)

Ano: 1991

 

 

O nome oficial desse jogo parece ser Another World (na Europa), mas ele ficou mais conhecido por Out of This World nos EUA (este é o nome que me lembro) e Outer World no Japão. Foi lançado para muitas plataformas (Amiga, PC, consoles…). Bem, indiferente do nome o que interessa é o jogo, então vamos a ele:

Considero este título como um marco na história, um dos primeiros jogos a se preocupar em usar uma linguagem mais cinematográfica ingame, com “fantásticos” gráficos poligonais e cutscenes.

Não tenho certeza se foi o primeiro jogo a fazer uso de cutscenes durante as missões (ao contrário de outros jogos, que tinham uma tela de história no início de cada fase, no máximo) e gráficos totalmente poligonais com ótima animação. Mas pela minha lembrança de jogador foi o primeiro que inovou nesse sentido, estando a frente do seu tempo. Era muito mais que um jogo de plataforma com alguns puzzles, tinha um mistério, uma história e uma forma de contar isso bem diferente e intrigante. Outro fato interessante é que não haviam diálogos, nem legendas, somente mímicas dos personagens. Com simples gestos e boa animação toda a história era contada. Havia também um NPC que lhe acompanhava em algumas partes. Enfim, era tudo muito simples, mas incrível.

 

A história, contada por uma cutscene de abertura fantática para a época, mostra um cientista chegando durante a noite no seu laboratório, pegando um elevador e indo até sua sala de pesquisas. Lá ele liga em equipamento, um acelerador de partículas, para um experimento. Porém uma tempestade se aproxima e um raio acaba caindo no laboratório, alterando o resultado da experiência. Por fim uma descarga elétrica faz a tal partícula acelerada criar uma reação e teletransporta o cientista para outra dimensão ou universo. Então ele surge dentro de um lago, em um mundo hostil.

 

Veja abaixo esta abertura na versão para SNES. Neste filme também mostra toda a primeira fase (bem curta), notem coisas incríveis como uma cutscene que apresenta uma criatura que começa a lhe perseguir, uma fuga com cipó e sua salvação no final. Porém você leva um tiro e morre ?? No fim da primeira fase ?? Ops, já contei…

 

 

 

Isso pode não parecer grande coisa, mas na época era fantástico. E assim a história se desenrola. O jogo tinha gráficos excelentes e alguns puzzles inteligentes, usando uma arma que deveria ser carregada para aumentar a força do tiro, além de coisas físicas clássicas como pular no momento certo etc. Podemos dizer que o jogo era um “Pitfall” com gráficos fluídos como “Prince of Persia”, mas com história cinematográfica, várias cutscenes, NPC que acompanhava o jogador, etc…

 

Os gráficos eram poligonais usando rotoscopia. O autor filmou ele mesmo fazendo coisas como abrir uma lata de refrigerante, pegar uma arma feita de papelão, mover um carro de brinquedo… e depois desenhou sobre cada quadro destes filmes para fazer as animações do jogo. Porém usando gráficos poligonais o tamanho em disco dessas animações ficava infinitamente menor, pois bastava guardar a posição de cada vértice de cada polígono em cada quadro ao invés de guardar uma imagem nova a cada quadro (pelo sistema tradicional de animação 2D). Assim ele tinha o movimento fluído de um vídeo como referência mas com o peso super leve dos polígonos para diminuir o tamanho do jogo.

 

 

Veja abaixo alguns clips destes filmes de referência.

  

 

Aqui uma entrevista com o autor, porém está em francês. Mostra a cena do carro na abertura e o filme que ele fez com um brinquedo para ser a base da animação. Outro fator curioso do vídeo são os ridículos óculos gigantes e camisa rosa do entrevistador…. Devia ser a moda da época… 🙂

 

 


 

Bem, depois deste jogo qualquer título top de linha deveria cuidar muito bem a animação, história, gráficos, ou seja ele aumentou o patamar de qualidade da indústria. Tornou os jogos mais próximos dos filmes, tendência essa que segue até hoje.

 

Porém, acredito que o objetivo final dos jogos não deve ser somente copiar a linguagem cinematográfica dos filmes, mas sim contar uma boa história de forma interativa, buscando um meio eficiente e original de fazer isso, explorando todas os recursos únicos deste tipo de mídia.

 

A continuação oficial deste jogo foi um título exclusivo do MegaCD (que nunca joguei) chamado “Heart of the Alien”. Muita gente se confunde achando que “Flashback” foi a continuação verdadeira, mas na realidade não. Com certeza ele deve ter sido muito inspirado no Out of This World, mas só isso. Veja um pouco de “Flashback” abaixo, que também foi um ótimo jogo. De qualquer maneira nenhum destes outros jogos foram feitos com a colaboração do autor original de Out of This World.

 


Este autor fez um nova versão da sua obra prima, agora com gráficos com melhor resolução e levemente alterados. Ele vende pelo seu site, que também conta com uma versão demo para baixar e um pouco da sua história de desenvolvimento.

Incrível um jogo com esta qualidade ter sido feito por uma pessoa só (com exceção das músicas). O projeto levou 2 anos para ser concluído, ou seja, a persistência sempre compensa !

 

 

Abertura da versão especial em alta resolução:

 

Curiosidade: todas as formas de morrer no jogo:


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