SBGames é o maior congresso acadêmico sobre desenvolvimento de jogos do país. Todo ano é realizado em um estado diferente, com tutoriais, palestras, mostra de papers, festival de jogos, etc. Sempre atrai um bom público e em 2007 foi na Unisinos, trazendo pela primeira vez o pessoal da Sony, divulgando sua iniciativa de apoiar as universidades e estúdios brasileiros com kit´s de desenvolvimento PS2 e PSP (iniciativa que já está dando frutos). Ou seja, é um ótimo congresso e deve crescer a cada ano.

Sobre o festival de jogos, uma coisa que me incomoda é o fato de não ser aceito jogos feitos em GameMaker. Para quem não conhece, GameMaker é uma ferramenta de desenvolvimento rápido (RAD) que permite fazer jogos 2D e até alguma coisa simples 3D. Ele pode ser programado criando eventos e ações entre objetos. Tem uma interface simples com comandos pré-definidos que podem usados, além de uma linguagem interna, permitindo mais controle. Ou seja, fazer um jogo simplório no GameMaker é muito fácil, mas fazer algo interessante e polido dá trabalho. A ferramenta tem uma versão gratuita e outra paga, com alguns recursos extras (mas custa só U$20,00). Além disso, conta com uma grande comunidade de usuários no Brasil.

Jogos construídos com esta ferramenta não são permitidos (por enquanto) no festival de jogos independentes do SBGames. Por quê? Não sei, acho que passa a idéia de que fazer jogos com ferramentas RAD é muito mais fácil do que programar do zero com outra linguagem (C++ por exemplo). E de fato é mais fácil, mas fazer um jogo bom sempre dá muito trabalho independente da linguagem escolhida.

Porém o que faz um bom jogo não é só programação e sim a idéia geral, a forma que ela é criada, ajustada, equilibrada, enfim a experiência do jogo – o gameplay. Além disso, um jogo é um produto multidisciplinar, buscando a excelência em vários aspectos como arte, parte sonora, programação, gamedesign (criando uma experiência interessante, incentivando o jogador a seguir em frente, etc…). Ou seja, um jogo feito por um programador sozinho, provavelmente será bom na parte técnica, mas falho em outros elementos (há exceções, mas geralmente é assim). E um jogo feito por um artista sozinho? Bem ai não teremos jogo, pois a programação sempre é necessária para ter algo rodando na tela… 🙂

A vantagem de ferramentas RAD (como GameMaker) é ser um auxiliador na parte de programação, podendo focar mais no elemento gamedesign do que programação de baixo nível. Desta forma um gamedesigner poderia aprender a usar esta ferramenta e sua linguagem interna de programação, que não é extremamente complexa, e desenvolver um produto mais completo, com foco na experiência do jogador, e não em elementos puramente técnicos.

E como dito anteriormente, para produzir um jogo com boa qualidade é necessário muito esforço e aprofundamento na linguagem, seja do GameMaker, C++, ou qualquer outra. Por isso considero que todos deveriam ter chances de criar suas idéias e realizar seus jogos. O programador profissional pode usar sua linguagem preferida. Mas um artista e ou gamedesigner que quiser realizar o seu projeto poderia se beneficiar de uma ferramenta mais simples. Ou até mesmo um programador que queira usar uma linguagem mais rápida… Enfim não há fundamento em dizer que jogos feitos em GameMaker não poderiam ser aceitos em um festival de jogos. Mesmo que ele facilite a programação, um jogo é muito mais do que puro código! Um gamedesigner amador que queira ver sua idéia rodando deve ter o direto de usar uma ferramenta mais simples para isso. Seu jogo deve ser respeitado assim como outros mais complexos tecnicamente. Afinal o jogo mais divertido e viciante deve vencer o festival, não interessa se ele usa normal mapping, milhões de polígonos, efeitos em GPU, … ou não usa nada disso.

Devemos incentivar toda e qualquer pessoa que queria produzir um jogo no nosso país, afinal já são tão poucos que fazem isso, não devemos criar mais empecilhos para a participação em festivais.

É evidente que uma pré-seleção é necessária. O jogo deve ter uma jogabilidade mínima e funcionar plenamente. Mas fora isso devemos incentivar todos a participar.

Não sei exatamente como seriam as regras do festival, mas acho até que se alguém queira criar mods usando engines AAA como do Unreal ou de Crysis, deveria ter uma categoria para isso (com premiações separadas).

Gostaria muito que a partir de 2009 o SBGames comece a ser mais democrático e aceite jogos feitos em GameMaker (e outras ferramentas equivalentes).

Apesar de eu ter participado da organização do festival de jogos do SBGames 2007, fui voto vencido e não consegui mudar esta regra de não aceitar certas “engines”. Mas no nosso evento anual da Unisinos, GDS, sempre aceitaremos a maior quantidade de ferramentas possíveis, estimulando a participação de todos, seja programador, artista ou gamedesigner.

ABAIXO A REPREÇÃO E O PRECONCEITO ! FESTIVAL DEMOCRÁTICO PARA TODOS !!!

[OBS: Depois que postei isso, tive a informação de um contato quente que em 2009 o SBGames aceitará GameMaker ! Viva ! ]