DRM ou Digital Rights Management é o conjunto de métodos anti-pirataria que um desenvolvedor coloca em determinado software. São formas de limitar o acesso e tentar proteger a propriedade intelectual, garantindo que o usuário utilize o software somente da forma que a licença permite. Resumindo: são os sistemas que verificam se a mídia do jogo é original, registro de serial via internet, etc. O mais tradicional é o sistema de serial único, eficiente especialmente online.

Ou seja, na teoria estas proteções são uma coisa positiva, pois tentam proteger o desenvolvedor e assegurar que os usuários tenham pago pelo software que estão usando. Porém leis muito severas de DRM podem acabar dificultando a vida dos consumidores, mais do que deveria.

Veja o exemplo de Spore, que é um jogo fantástico, uma produção gigantesca em termos de tecnologia, design, … Mas Spore teve fortes críticas e avaliações baixas, especialmente no site da Amazon, por causa do seu sistema de DRM.

Nota muito baixa para Spore no site Amazon
Nota muito baixa para Spore no site Amazon

Em Spore você só pode instalar o jogo 3 vezes no máximo. Note que não são 3 licenças rodando ao mesmo tempo, são 3 instalações como limite total. Ou seja, se instalou uma vez, depois precisou formatar a máquina e instalou de novo, só sobrou uma instalação.

Se depois disso o jogador quiser parar de jogar por um tempo, desinstalar para liberar espaço no HD e voltar a instalar um dia, já chegou no limite. Nessa situação, não poderá instalar mais.

Para a maioria dos jogadores isso não é tão problemático, mas pensando a longo prazo é um tanto quanto estranho. Se o jogador pagou pelo jogo, deveria ter o direito de instalar quantas vezes quiser.

Um limite de instalação ao mesmo tempo (rodando em várias máquinas) seria algo coerente. Mas limite total de instalação como foi feito, é uma afronta aos direitos do consumidor.

No site da Amazon, muita gente disse que desistiu de comprar o jogo por causa disso. Alguns usuários perguntaram: “Estou alugando ou comprando o jogo?”

Esta política da EA afastou vários consumidores e criou muita antipatia na comunidade de jogadores. Alguns até disseram que compraram, mas acabaram usando a versão pirata que era mais fácil de instalar e não tinha limite algum.

Desta forma a EA acabou punindo quem de fato pagou pelo jogo, talvez até incentivou a pirataria…

O outro lado da história:

O estúdio independente 2DBoy, que fez o incrível World of Goo, resolveu fazer um teste com seu jogo. Lançou ele para PC sem nenhum tipo de DRM. O jogo poderia ser instalado e jogado em qualquer lugar, quantas vezes quiser, sem nenhum tipo de proteção (era vendido por download). Eles queriam ver se esta medida iria aumentar a pirataria ou não.

Depois de um tempo lançado, fizeram um cálculo do número estimado de cópias piratas. Desta forma: no jogo há a opção de enviar a pontuação para um rank global; pelo número de IP´s das máquinas que enviaram alguma pontuação em relação ao número de cópias vendidas, chegaram a conclusão que aproximadamente 90% das cópias foram pirateadas. Por mais que este número seja alarmante, outros jogos por download que contém DRM também possuem este índice de pirataria.

Ou seja, DRM não mudou em nada a quantidade de vendas, nem aumentou a pirataria. Eles quiseram provar que gastar dinheiro para desenvolver sistemas DRM não ajuda com o problema e pode até espantar algum consumidor se as medidas tomadas forem muito severas.

Desta forma, World of Goo foi pirateado como qualquer outro jogo, mas quem realmente pagou pelo produto obteve uma cópia que funciona sempre, sem limitações e sem dor de cabeça. É um exemplo de desenvolvedor que respeita seu público e certamente ganhou a simpatia da comunidade de jogadores.

Bem ao contrário da EA com o Spore…

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