(estou falando do GH1)

Produzido por Harmonix.

Ano: 2005

Falar de GH hoje é como chover no molhado… Todo junto joga, gosta ou não, mas conhece o negócio. Tanto que em qualquer loja se encontra guitarras-controle genéricas por R$100,00 que funcionam em ps2 e pc.

Porém a alguns anos atrás era uma luta achar o jogo e controle por aqui.

Bem, a primeira vez que ouvi falar sobre GH foi em um site que tinha uma lista de premiados de algum concurso de jogos (não me lembro exatamento o que era). Na categoria musical estava lá: Guitar Hero. O que seria isso ? Fui no gamespot e achei ele com uma ótima nota e com um video-review. Ao ver este vídeo a primeira imagem já me marcou: o vídeo abria com Cowboys From Hell (Pantera). Holy @#($*!! Poder tocar Pantera em casa não tem preço…… eu preciso jogar isso!!! Esta banda foi muito importante durante a minha adolescência, cresci ouvindo Pantera. Ao ver do que se tratava o jogo: controle guitarra, uso das duas mãos no controle, palhetada + botões, sensor inclinação, cover de bandas clássicas, multiplay, etc… Inclui um novo “achievement” pessoal na hora, “Comprar GH”. Mas sabia que a experiência real era com a guitarra, com o controle normal não me interessava.

Resumindo a novela, levei mais de 1 ano para conseguir achar e comprar a caixa do jogo+controle. Tentei comprar via internet, mas não era entregue no Brasil por causa do tamanho do item… As poucas lojas daqui que sabiam o que eu estava falando só aceitavam por encomenda e com o custo de um rim. Por fim, pela indicação do Cássio (meu aluno) achei o jogo e controle em uma loja do Shopping Total aqui em Porto Alegre. O preço era de meio rim, mas naquelas alturas era a única forma. (o GH2 até já tinha sido lançado, aquele era o 1 ainda).

Bem, valeu a pena. Uso até hoje o controle no GH1, 2, anos 80, 3, rock band, e futuramente no GH4 e rock band2.

Vitória ! Depois de tanta luta conseguir comprar o controle e jogo!

Acredito que uma das coisas incríveis do GH, que ajudou a esta série sozinha render mais de U$ 1bilhão mundo afora, seja o que eu chamo informalmente de “gameplay cebola”(tm). Um gameplay composto por várias camadas, assim como uma cebola. Atravessando uma camada, existe outra por dentro com novos elementos, depois mais outra e assim por diante. Isso é representado pelo nível de dificuldade do jogo, que não o torna só mais rápido e difícil, mas acrescenta novos elementos de gameplay, que devem ser dominados para seguir em frente. E alguns desses elementos são físicos, como técnicas de posicionamento de dedos na guitarra (por isso é essencial jogar esse jogo só com a guitarra). Deixa eu explicar melhor isso:

No nível fácil o jogo é casual: usa só os 3 primeiros botões, é lento. Qualquer criança joga e se diverte. O Wii está ai para provar o quanto uma abordagem casual pode ser lucrativa.

Acabando no nível fácil o jogador quer mais, então começa de novo no médio (o próprio jogo te incentiva a seguir jogando, prometendo novidades e prêmios se acabar em outro nível, novas guitarras virtuais etc. Resumindo ele diz que o fácil é sem graça e te desafia a seguir em frente). Aqui a coisa complica mais pois o jogo usa 4 botões e acelera um pouco as notas. O que isso significa? Que o seu minguinho deve ser usado. Ok, você provavelmente deve ter vários usos para o seu minguinho, mas em jogos eles são sempre ignorados. Então quando o jogo exige que ele seja usado, você dá o comando cereberal mas ele não obedece como deveria, pois está enferrujado em anos de pouco uso na sua vida. Então o jogo lhe exige treinar o cerébro e músculos para “acordar” o seu minguinho. Isso leva um bom tempo e é difícil no início, mas depois tudo automatiza e ele já funciona sozinho.

Ok, médio vencido, vamos para o Hard. Aqui a coisa complica mais, temos 5 botões para usar e 4 dedos disponíveis no braço na guitarra. Isso significa que você terá aprender a descar a mão inteira para chegar no último botão, ou abrir muito a mão (mas é muito dificil e pode dar uma tendinite…) Quando a mão troca de posição todos os botões “trocaram de lugar” e você deve se coordenar para saber por onde anda, que botão está abaixo de cada dedo. O botão amarelo tem uma ranhura que ajuda com isso, mas requer treino. Além disso as notas estão rápidas…

Depois de muita luta, vencido o hard chegamos no expert… Eis o desafio final. A velocidade é muito mais rápida e temos uma quantidade enormde de notas para atingir. Agora coisas que poderiam ser ignoradas antes devem ser dominadas; os hammer-ons e pull-offs (tocar notas vizinhas na ordem correta sem precisar usar a palhetada sempre). O jogo irá exigir muita agilidade e o conhecimento de cada música, além do uso de estratégias para acionar o especial (star-power) na hora certa e por ai vai. No expert é possível ficar semanas tentando passar uma única música.

Não sei quanto tempo total levei para acabar o jogo em todas as dificuldades (meses?), mas foi uma grande vitória. São aqueles raros jogos que fazem o coração quase sair pela boca, quando está jogando uma música bem complexa, quase no fim, quase perdendo se errar mais uma nota, com o braço doendo do cansaço, …

Requer um grande exforço acabar o jogo no expoert, mas como o aprendizado foi gradual (desde o easy), e sempre com novidades para aprender (elementos de gameplay e posicionamento mais complexo de dedos) os jogadores ficam empolgados em acabar.

Bem, GH2 e 3 são mais difíceis, beirando o masoquismo nas últimos músicas do expert… Mas o primeiro GH é virável, achei mais equilibrado a dificuldade. Eu jogo pela diversão, se for puro sofrimento ai não dá graça. Mas um sofrimento medido é necessário para o desafio.

Ah, em 2009 chega GH: Metallica, isso tem tudo para ser excelente.🙂