Arquivo de outubro \30\UTC 2011

30
out
11

Video Games Live em Porto Alegre e a polêmica do playback

Antes de qualquer coisa eu queria dizer que realmente adoro o VGL, a idéia do show em si, a qualidade das músicas, os vídeos sincronizados no telão, os convidados especiais… Já fui no show 2 vezes e tenho o DVD/Blu-Ray. A primeira vez que vi foi no Rio em 2009 (logo antes do SBGames, estava lá para o congresso e já aproveitei), e a última vez foi neste ano em Porto Alegre (finalmente depois de anos de espera!).

No Rio foi mais marcante, pois era a primeira vez que via e tocaram Shadow of The Colossus (apesar de não ser a música toda) e God of War (senti falta destas músicas em Porto Alegre). Este ano divulgaram que seria um show inédito na América Latina, mas acabou sendo bem parecido com o do Rio anos atrás. A diferença positiva em POA foi o público, o pessoal realmente ficava quieto para ouvir as músicas, já no Rio era uma bagunça, todo mundo conversando e gritando o show inteiro, parecia intervalo do ensino médio…

SOTC em 2009

Ah, outro momento único e emocionante em POA foi uma (super) breve conversa com o Ralph Baer via skype, o criador dos videogames, agora com quase 90 anos.

 

Pois bem, já falei o quanto gosto, agora seguem algumas coisas que estragam a experiência…

Repetição: Já vi mais gente falando sobre isso em análises do show, é sempre muito igual o espetáculo. Pelo menos 70% é idêntico a anos, até as interações/piadas do apresentador são semelhantes. E se é para fazer igual pelo menos mantenha God of War que fica fantástico ao vivo. (e Shadow of The Colossus !! Trilha espetacular… )

E por falar ao vivo…

 

A polêmica do Playbak… Mito ou verdade???

Em Porto Alegre algumas coisas estranhas aconteceram… Em um momento o som deu um problema e tudo ficou mudo por 1 segundo… até ai tudo bem pois eu estava longe do palco e os microfones poderiam ter dado pane por um instante, então nada de mais.

Na trilha do MGS3, Snake Eater (fantástica música, aliás) há uma bateria. Procurei por ela no palco e não achei… vi algum tambor ou algo de percussão no fundo, numa área mais escura, então acreditei que o som vinha dali, ok sem problemas.

Mas então chega a música do Bodycount, com participação do compositor original. Ele não regeu, só deu um olá e sumiu. Porém no meio da música apareceu correndo no palco com um teclado enorme pendurado nos ombros… Ficou lá andando pela platéia e apontando o teclado para o povo como se fosse uma metralhadora no melhor estilo Steve Harris. Teatral demais, mas o que ficou mais chato foi que ele não tocou nada. Mantinha uma mão fixa sobre o teclado, sem nem se preocupar em simular que tocava alguma coisa. Isso ficou muito estranho… por que aquela criatura fez todo esse teatro sem tocar uma nota…?

 

Mick Kiely “tocando“ misticamente sem mexer a mão…

 

Depois do show procurei na Internet algumas análises em blogs, sites, e achei gente falando que era tudo playback, show falso… será?? Difícil de acreditar que o show de game music mais famoso do mundo é um teatro em playback… Eu não daria bola a estas teorias de conspirações se não tivesse visto ao vivo aquela cena estranha do Bodycount, a bateria mística do MGS3… Ai comecei a lembrar que o som do show estava muito bom, bom demais, super bem equilibrado todos os instrumentos, parecia pré-editado… ainda mais com uma orquestra não muito grande, coral menor ainda… Alguma coisa está estranha…

Veja os posts abaixo (especialmente os comentários) e tire suas conclusões.

 

http://hadouken.wordpress.com/2009/10/26/playback-ao-vivo/

 

http://wp.clicrbs.com.br/canaldosgames/2011/10/13/passagem-do-video-games-live-em-porto-alegre-emociona-fas-e-deixa-espaco-para-bis/?topo=2,1,1,,,2#idc-container

 

http://wp.clicrbs.com.br/canaldosgames/2011/10/12/hoje-e-dia-de-assistir-video-games-live-em-porto-alegre/?topo=2,1,1,,,2

 

http://hadouken.wordpress.com/2009/10/12/vgl-2009-cada-vez-mais-show-cada-vez-menos-concerto-todo-mundo-se-alegra-e-eu-nao-me-contento/

 

Tem gente que diz que é puro playback, que a orquestra está fingindo que toca (não acredito que a nossa orquestra toparia fazer uma palhaçada dessas), tem gente que diz que o playback é usado só nos instrumentos que não tenha na orquestra em questão (ex: se a música tem bateria e a orquestra não conta com uma, por falta de espaço, então toca a bateria pré-gravada junto com a orquestra ao vivo – o que seria razoavelmente ok, nenhum problema tão grave), tem gente que diz que há uma trilha de preenchimento, a orquestra realmente toca junto com uma base pronta, mas base de instrumentos iguais a ela ou só outros juntos? Enfim, é uma confusão de suposições e conspirações…

 

Eu gostaria de acreditar que não é tudo playback, que a orquestra toca de verdade, pois é um absurdo imaginar que pessoas que dedicaram a vida inteira a dominar um instrumento aceitariam ter uma noite de Justin Beaver… Mas certamente há coisas estranhas. Comentem o que vocês acham…

Alguém conhece um músico ou outra pessoa da produção que participou internamente do show e possa esclarecer estas dúvidas?

 

Mesmo com um pé atrás por estas possíveis “enganações” e um show um tanto quanto repetitivo (e com excesso de músicas da Blizzard desta vez…), ainda quero ir novamente pois sempre é uma experiência fantástica. Mas a empolgação diminuiu, talvez diminua mais a cada ano se estes problemas continuarem. Pelo menos é sempre um momento raro de reunir os amigos da área e celebrar os videogames como fenômeno cultural. Playback ou não as músicas são fantásticas, não se pode negar.

 

Espero que o sucesso do VGL estimule outros shows de game music por aqui, como por exemplo houve em POA (logo depois do VGL) um show para o dia das crianças que a orquestra tocou músicas de jogos. Produção pequena, sem telão e lasers, mas era gratuito e verdadeiramente sem playback…

 

ATUALIZAÇÃO: Depois de escrever este post, achei o blog de uma violoncelista de Porto Alegre (abaixo), que viu o show e comentou de forma clara e direta que era tudo playback… Inclusive ela conhecia outros músicos que confirmaram… Com isso parece não haver mais dúvida… É realmente uma enganação, que decepção. Irei pensar muito se vale a pena ir de novo…

http://monicacello.blogspot.com/2011/10/farsa-do-video-games-live.html

 

Pois é gente, estávamos todos vendo um show do Tenacious D sem saber…

Se é para fazer playback então faz direito…
12
out
11

Game Music Brasil 2011 – como foi

Neste sábado participei do GMB como finalista na categoria jogo indie.

Não ganhei o prêmio de melhor jogo, mas tive o privilégio de ir ao evento com viagem e hospedagem paga pela produção, então já valeu a pena ter participado!

 

Estava por fora do cronograma, não sabia o que iria acontecer além das premiações (melhor trilha, banda e indie). Fiquei surpreso ao descobrir que havia a orquestra sinfônica Villa Lobos e que seria regida pelo Lucas da Família Lima, além da participação do Tommy Tallarico (criador do VGL – VideoGamesLive), apresentando o compositor da Blizzard (um dos convidados especiais do VGL deste ano) para o povo. Também seria tocada a trilha do jogo Bodycount (com o compositor presente) e apresentações das bandas que estavam concorrendo ao prêmio.

 

Eu sabia que a feira Brasil Game Show estava acontecendo no mesmo dia, mas não imaginava que seria no mesmo prédio que o GMB. Que por sua vez era o mesmo local do VGL… Ou seja, no centro de convenções Sul América todos os eventos de jogos e música estavam juntos: no andar de baixo o BGS, no de cima o GMB (no sábado) e o VGL (no domingo).

 

Pois bem, voltando ao evento, realmente o que me surpreendeu foi o medley (uns 20 mins) escrito e regido pelo Lucas Lima. Muito bem feito, com direito aos vídeos de jogos sincronizados no telão, exatamente como no VGL. Se quisesse, ele já estaria pronto para fazer um concerto inteiro sozinho, com total competência! Ótima concorrência ao VGL :)

Não sabia que ele é gamer, que até tem uma cadela chamada Zelda, e já fez trilhas para jogos profissionalmente. É uma pessoa extremamente simpática, do tipo que fala com alguém que nunca viu antes como se já fosse um amigo antigo. Outra grande surpresa foi a Sandy (sua esposa) ter aparecido para conferir o show. Eu até poderia imaginar que poderia encontrar pessoalmente o maestro do VGL, além do compositor da Blizzard, mas a Sandy?? Surreal!

 

O mais legal do evento foi conhecer muita gente boa, não só os famosos, mas todo pessoal das bandas, criadores indie, todo mundo que participou desta festa musical dos jogos e compartilha a mesma paixão. O Brasil precisa cada vez mais de eventos como esse, para dar visibilidade a este mercado que tem muito a crescer por aqui. Ainda mais sobre áudio que até agora não tinha um evento específico que representasse esse tão importante aspecto na produção de um jogo.

 

 

Tommy Tallarico (compositor que criou e apresenta o VGL, e primo do Steven Tyler do Aerosmith!) e Russell Browser (diretor de áudio da Blizzard, compositor da trilha do WoW, vencedor de três Emmy)

tommy

russel

 

Lucas Lima e sua esposa… Confira um trecho do medley dele abaixo.

lucas

sandy

 

Apresentando meu jogo (ao lado do PC Siqueira que “conduziu” o evento) e o pessoal da categoria indie. O vendedor foi o casal da esquerda – Amora e Pedro Medeiros – com o jogo Talbot’s Odyssey.

apres

indies

 

 

Porém…

The Dark Side:

 

Bem, houve inúmeros problemas por parte da organização do evento. Temos que dar um desconto pois é a primeira vez que ele ocorre, mas melhorias precisam ser feitas para a próxima versão (se for anual de agora em diante) ser mais profissional.

Houve um atraso de 2h para começar, além de um grande stress para conseguir rodar os vídeos dos jogos indie e das trilhas (os finalistas tiveram que meter a mão na massa e com muita boa vontade resolver os problemas), afinal não foi informado o formato de vídeo correto que deveria ser feito para funcionar de acordo com o equipamento que planejavam usar para exibir os vídeos no telão.

Para ter uma idéia, o notebook usado para exibir os vídeos foi emprestado pela banda que era finalista do festival, depois de horas de luta para converter vídeos para tentar rodar em um DVD player comum… Um monte de correria que não precisaria ter acontecido se tudo tivesse sido planejado e informado corretamente. Com isso muita gente que estava lá como convidado acabou tendo que trabalhar e se estressar sem necessidade, sem nem conseguir descer para ver a feira BGM do andar de baixo (ou sair para almoçar…).

No momento da apresentação das bandas, cada uma precisava entrar no palco, montar o equipamento, testar som… um enorme tempo de espera para tocar uma música de poucos minutos e então tudo se repetia para a próxima. E uma delas teve um grave problema de som, ficando prejudicada. Deveria tudo ser testado com calma antes para só se apresentar na hora. Todo pessoal participante chegou cedo e queria deixar tudo testado perfeitamente, mas com as correrias de última hora da “organização”, nada disso ocorreu.

 

Outra coisa, as regras do jogos indies não estavam bem definidas. Era necessário jogo com arte original? Com ou sem financiamento? Jogo de plataforma mobile competir com pc? Mesmo júri para jogos e trilhas? Votação ao vivo (só pelo vídeo apresentado) sem ter como avaliar o jogo com cuidado previamente? (de acordo com um jurado que falei pessoalmente foi assim que ocorreu). E qual o propósito de ter um júri ao vivo se não dá um feedback ao autor? Seria importante ter mais uns minutos para a parte da premiação, falar, perguntar, comentar o jogo para o autor saber o que agradou ou não. Isso pode ser mais valioso do que o prêmio…

 

O sistema de votação pelo site sempre é falho. Ganha quem consegue convencer mais amigos a votar, ou tem mais paciência de registrar e votar pelos amigos. O ideal é que o júri escolha por mérito, mesmo que haja dezenas de jogos… É assim que fazemos no SBGames, testamos um por um para ver se funcionam e depois repassamos para os jurados, com um prazo bom para avaliar.

Também nas trilhas, pessoal que fez releitura de temas clássicos ou outros que criaram uma música do zero, seja para um jogo que já existe ou não, ficaria tudo misturado? Quem sabe criar categorias ou definir com regras como deve ser para a comparação ficar mais justa.

(lembrando que tudo isso não saiu só da minha cabeça, é a soma de muitas reclamações que ouvi lá)

 

Enfim, espero que resolvam estes problemas no futuro para profissionalizar o evento, e que ele continue a cada ano, criando um importante espaço para o pessoal que trabalha com jogos e música, além de dar oportunidade ao público de curtir um show de game music (sem esquecer dos jogos indies!). Afinal só o VGL é pouco!




Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.